“Com o crescimento esperado, nos próximos 10 anos, Portugal será́ a maior referência na olivicultura moderna e eficiente do mundo, e possivelmente o sétimo maior em superfície, e o terceiro maior na produção mundial de azeite”. Esta é uma das conclusões do estudo "Alentejo: a liderar a olivicultura moderna internacional”, realizado por duas consultoras - Consulai e por Juan Vilar-Consultores Estratégicos – e que foi apresentado hoje, em Beja, na 6.ª edição das Jornadas Olivum - Associação de Olivicultores do Sul.

Ocupando o 9.º lugar no ranking mundial dos produtores de azeite, os “361.483 hectares de olival” permitem a extração de “135 mil toneladas de azeite” de que resulta, “no último triénio, um volume de negócios superior a 600 milhões de euros”, 2,5 vezes mais do que o alcançado no triénio de 2010 a 2012 e “cerca de 9% do valor da produção agrícola nacional”, destaca o documento a que o SAPO24 teve acesso.

Dos 64 países produtores de azeite (responsáveis pela produção de 11,5 milhões de hectares de olival), Portugal é o que "tem os melhores recursos para produzir de forma eficiente" devido a vários fatores, como o tamanho e as características inovadoras das explorações, disponibilidade de água, momento de maturação do fruto e o elevado nível tecnológico dos lagares, que "são os mais modernos do mundo".

Se em 1999, o olival moderno representava "apenas 2%" da área total de olival, hoje ocupa “63%”, concluindo o estudo que em 20 anos "o olival português passou por uma profunda transformação: de um olival tradicional e não competitivo passou-se para um olival moderno e eficiente".

Em 2017, o ano de maior produção dos últimos 20 anos, produziram-se “858.413 toneladas”. A produtividade média de azeitona em Portugal "quadruplicou em apenas 18 anos". Passou de cerca de 0,5 toneladas por hectare de olival em 2000 para duas toneladas em 2018. Já a produção de azeite passou de 40 mil toneladas, em 2000, para 134.684 toneladas, em 2018.

A modernização em curso coloca Portugal como “5.º maior exportador mundial de azeite”, com valores (em 2017) próximo dos 500 milhões de euros, em comparação com pouco mais de 80 milhões de euros em 2005, lê-se no estudo.

A nível de empregabilidade relacionada com o setor, este proporciona “7 milhões de dias de trabalho em cada campanha”, o que equivale ao trabalho de cerca de “32 mil pessoas a tempo inteiro”.

Alentejo na liderança alavancado no Alqueva

O Alentejo, região que está “centro das atenções do mundo agrícola" e que “liderou a atual transformação da olivicultura internacional", frisa o estudo da Consulai e Juan Vilar – Consultores Estratégicos, "tem-se afirmado como a referência mundial no processo de modernização e de inovação da olivicultura”.

O olival moderno representa “82% do total da área de olival” alentejano, com a incorporação de novas áreas de regadio, sobretudo no Alqueva e com a “transformação” de olivais tradicionais em olivais modernos. Uma alteração de tipologia que colocou o Alentejo como a região do país com maior produção de azeitona: em 2018, “mais de 75%” do total de azeitona produzida a nível nacional, quando em 1999, representava cerca de 25% do total nacional.

O investimento “em sistemas de produção modernos e eficientes" e a aposta em lagares "com a tecnologia mais desenvolvida no mundo", tem permitido "aumentar" a produtividade dos olivais (“mais de seis vezes nos últimos 18 anos”) e "melhorar a qualidade" dos azeites "significativamente". Uma situação que ocorre, “sobretudo, na área de influência do projeto Alqueva", onde dos “55.185 hectares” existentes, “90% é moderno”, sendo "o maior reflexo de inovação, disrupção e desenvolvimento tecnológico do planeta".

O regadio do Alqueva e a modernização em curso levou a que se assistisse a uma revolução do ponto vista económico e "em poucos anos", a cadeia de valor do azeite "mais do que triplicou" e "passou a valer cerca de 450 milhões de euros", gerando uma riqueza que contribuiu para o "aumento do emprego", a "dinamização de um território que estava 'adormecido'" e "a fixação de pessoas".

Se os investidores espanhóis foram os “principais impulsionadores da primeira fase de expansão dos olivais modernos na região", com a expansão do Alqueva, o investimento na cultura mudou de nacionalidade e "passou a ser liderado" por portugueses. Em especial jovens agricultores (45%). Na região do Alqueva, o investimento em olival representa 46,5% do investimento total agrícola no Alentejo (655,7 milhões de euros).

Também é "um setor empregador, resiliente e que investe", indica o estudo, referindo que os projetos já aprovados no setor Olivicultura e do Azeite no âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural 2014-2020 representam um investimento total de quase 675 milhões de euros, repartidos por cerca de 4.000 projetos, 1500 dos quais de jovens.

Em jeito de conclusão, o estudo refere ainda que “Portugal, em particular a região do Alentejo”, é o “país com as melhores características para o desenvolvimento da olivicultura moderna no mundo, compatibilizando, como poucas culturas agrícolas, as vertentes económicas, ambientais, territoriais e sociais da sustentabilidade”, lê-se na publicação hoje apresentada nas Jornadas Olivum - Associação de Olivicultores do Sul, que decorrem em Beja.

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