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Um “dia feliz” num ano para esquecer

António Moura dos Santos
António Moura dos Santos

10:07. A uma primeira leitura, o número não tem nada de particularmente relevante. Não é redondo nem está historicamente associado a um ritual ou a uma prática quotidiana. É, no entanto, possivelmente a mais importante hora registada este ano malogrado, já que foi quando hoje a primeira pessoa foi vacinada contra a covid-19 em Portugal.

O feliz agraciado foi António Sarmento, diretor do Serviço de Doenças Infecciosas do Hospital de São João do Porto. O médico infecciologista, de 65 anos, recebeu a vacina das mãos da enfermeira Ana Isabel Ribeiro, também ela vacinada ao longo do dia.

Foi o tiro de partida para um processo que, pelas 21:00 horas, já tinha chegado a mais de 4000 profissionais de saúde, vacinados não só no São João, como também no Hospital de Santo António, também no Porto, o Hospital de Coimbra, Hospital de Santa Maria, Hospital Curry Cabral e Hospital de São José, estes últimos três em Lisboa.

“O risco não é zero, mas o risco também não é zero para nenhuma medicação nova”, salientou Sarmento, após ser inoculado. Aparentemente, até as piores perspetivas foram goradas, já que não foram registados quaisquer casos de reações graves à vacina.

“Esta vacina é segura. Estamos confiantes. Hoje foi um dia feliz, um dia em que sentimos que estamos a ganhar a guerra contra este vírus”, vincou Fernando Araújo, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar e Universitário de São João.

As palavras de alívio e felicidade partiram também de outros responsáveis. O dia de hoje representou “um momento de grande simbolismo" e de "esperança", disse a ministra da Saúde, Marta Temido. "Há dias que ficarão para sempre nas nossas memórias", escreveu António Costa no Twitter. Já outros optaram por apelar aos portugueses para que “não tenham medo de se vacinar”, como fez o Bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, ele próprio vacinado.

Com este processo iniciado, Portugal inscreveu-se assim naquela que promete ser uma nova página no combate à pandemia. Se a Alemanha, a Hungria e a Eslováquia já tinham iniciado as vacinações ontem, hoje seguiu-se uma vaga de países, do Chipre à Noruega, passando pela Espanha ou pela Itália (dois dos mais atingidos no mundo) a dar o tiro de partida.

As estratégias no processo de vacinação, diga-se, variaram. Por cá — apesar das sempiternas polémicas alimentadas pelas redes sociais — houve quem tenha torcido o nariz à ideia de se começar por vacinar dirigentes de saúde em vez profissionais uns furos abaixo na hierarquia, pelo menos no plano simbólico.

A ideia, porém, não foi inédita: na Bulgária foi o ministro da Saúde o primeiro a receber a vacina, sendo que na República Checa foi o próprio primeiro-ministro. A ideia por trás desta estratégia foi a de tentar gerar confiança no público, já que somam-se as pessoas com suficiente desconfiança na vacina para recusar tomá-la.

Noutros países, todavia, a postura foi outra. Espanha, Alemanha, Chipre, Suécia ou Dinamarca foram países a preferir começar por vacinar aqueles que têm estado sob enorme risco: os idosos. 

Não obstante as estratégias, o simbolismo das primeiras vacinas a serem administradas é invariavelmente o mesmo: demonstrar que, nove meses depois da pandemia se espalhar pelo mundo, foi mesmo possível criar uma resposta significativa à covid-19 e que 2021 só pode ser melhor.

Esta não é, porém, altura de embandeirar em arco e não é ainda possível respirar de alívio, até mesmo para os vacinados. Nesta fase ainda não se sabe se apenas uma dose da vacina é suficiente para imunizar — é possível que sim —, mas por via das dúvidas, haverá segunda ronda a partir de 17 de janeiro. Até lá, todo o cuidado é pouco. Para eles e para todos nós.

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