Fernando e o eterno obrigado
Chegou ao fim uma das eras mais importantes do futebol português. Fernando Santos, treinador que conquistou os únicos títulos da história da principal seleção nacional de Portugal, deixou esta quinta-feira o lugar que ocupa desde 2014, poucos dias depois da eliminação da equipa das Quinas do Qatar, nos quartos-de-final, aos pés de Marrocos, a seleção-surpresa que fez história no torneio ao tornar-se na primeira equipa africana a alcançar as meia-finais de um Mundial.
Responsável pela conquista do Campeonato da Europa de 2016, em França, o mais importante título da história da seleção portuguesa, aquele que no futebol é conhecido como 'o engenheiro', nunca conseguiu alcançar a consensualidade junto dos adeptos portugueses. O dia de hoje é a prova disso: basta um scroll numa rede social à escolha para vermos que Fernando Santos estava longe de ser unânime.
Se o bom estilo português, regado por declarações que ficarão na história - como o "já avisei a minha família de que só regresso no dia 11 de julho e serei recebido em festa", antes da fase a eliminar do Euro2016 - cativavam uns, o futebol praticado pela seleção faziam desconfiar outros. Em França, as sequências de empates ficaram na sombra do troféu, mas a partir do Mundial de 2018, na Rússia - Portugal caiu nos oitavos-de-final, diante do Uruguai - , com uma convocatória já composta por alguns dos nomes daquela que é já considerada por muitos a melhor geração de sempre do futebol português, as fracas prestações colocaram o selecionador em cheque.
A conquista da Liga das Nações, em 2019, serviram de balão de oxigénio para uma nova oportunidade para o futuro de Fernando Santos à frente da equipa nacional, mas as sucessivas oportunidades falhadas que teve para mostrar que o palmarés da seleção podia crescer ao nível da qualidade do talento à disposição foram tornando o técnico num nome cada vez menos consensual.
Sem nunca conseguir criar um modelo de jogo bem definido, o futebol praticado por Portugal foi pecando pela incapacidade de retirar o melhor do talento ofensivo, vivendo do excesso de conservadorismo tático e sobrevivendo de prestações individuais, tanto na defesa como no ataque.
O Euro2020 foi espelho disso. Mais uma vez terceiro na fase de grupos, como em 2018, Portugal caiu cedo, nos oitavos-de-final, perante a Bélgica, uma seleção que depois de uma era de ouro, que a levou às meias-finais do Campeonato do Mundo da Rússia, vive numa alta crise de rendimento que ficou patente mais uma vez neste Mundial no Qatar, em que não conseguiu passar a fase de grupos.
No entanto, agarrado aos feitos do passado, Fernando Santos conseguiu manter-se ao leme da seleção. Mas o futuro não lhe sorriu. Falhou a qualificação direta para o Campeonato do Mundo de 2022, ao perder no estádio da Luz com a Sérvia, tendo a seleção sido obrigada a disputar o play off, e falhou a presença na final four da Liga das Nações também com uma derrota caseira, desta vez frente à Espanha.
Contestado pela maioria do país, partiu para o Qatar com aquele que foi o melhor conjunto de jogadores que em oito anos de seleção levou para uma fase final. Mas debaixo de uma grande sombra: o fim da relação entre Cristiano Ronaldo e o Manchester United e a vontade, a todo o custo, do jogador português, aos 37 anos, afirmar-se como ainda sendo um dos melhores do mundo.
Desde o verão que o nome da estrela maior da história do futebol português é frequentemente motivo de notícia. Primeiro, por uma eventual saída forçada do Manchester United, depois pela falta de conexão com o novo treinador dos Red Devils, ten Hag, mais tarde por se ter recusado a entrar nos minutos finais de um jogo da Premier League e ter abandonado o estádio, nesse mesmo encontro, antes do apito final, e mais recentemente por uma entrevista arrasadora que deu a Piers Morgan e que foi transmitida na semana anterior ao arranque do Campeonato do Mundo, na qual denunciou várias situações relativas ao United, da estrutura ao treinador, referindo ter-se sentido desrespeitado; entrevista essa que foi inevitavelmente prefácio do anúncio da sua saída do clube já durante o Mundial.
Ronaldo não é maior que Portugal, mas é grande o suficiente para criar instabilidade. Sem clube e na luta pela última oportunidade de conquistar um Campeonato do Mundo, o maior troféu do futebol que lhe falta no palmarés, CR7 demorou pouco tempo a entrar numa espiral de polémicas.
Depois do primeiro jogo, frente ao Gana, em que marcou o primeiro golo da seleção portuguesa, através da conversão de uma grande penalidade, em que se tornou no primeiro jogador de sempre a marcar em cinco Mundiais, foi sendo sucessivamente ofuscado pelas exibições muito superiores de colegas de equipa, como Bruno Fernandes ou João Félix. Ao terceiro jogo a titular, num total de três jogos, e já com Portugal apurado para a fase a eliminar, não gostou de ser substituído cedo por Fernando Santos e foi captado pelas câmaras a dizer "estás com uma pressa do c****** para me tirar, f****".
O técnico que até ao momento tentava afastar-se do tema Cristiano, pedindo sucessivamente para que a comunicação social se focasse no grupo e na competição e respondendo às questões sobre o capitão com generalidades e repetições de declarações, ficou no centro do furacão. No dia seguinte, disse que não tinha gostado nada "mesmo nada" da atitude de Ronaldo e, como consequência, deixou-o no banco para o jogo dos oitavos-de-final diante da Suíça que Portugal venceu de forma brilhante por 6-1, com Gonçalo Ramos, no lugar de CR7, a assinar um hat trick.
Durante breves dias, Fernando Santos renasceu, ovacionado pela capacidade de ter mostrado pulso firme e de ter apresentado uma equipa capaz de jogar em alto rendimento, de acordo com as capacidades que aqueles mesmos jogadores demonstram nos seus clubes.
Mas a nova vida do técnico durou poucos dias. Frente a Marrocos, voltou a sentar Cristiano Ronaldo, mas a equipa não respondeu da mesma forma e a qualidade dos jogadores portugueses nunca se conseguiu superiorizar à organização defensiva e devoção da seleção africana. Ronaldo entrou cedo, aos 51 minutos, mas não foi a tempo de manter Portugal no Campeonato do Mundo.
De repente, o universo que elogiou o técnico que sentou Ronaldo, sentenciou o técnico por não chamar CR7 à titularidade. O treinador demolidor que goleou a Suíça voltou a falhar na leitura tática da partida. Daí partiu-se para todos os outros argumentos, da aposta em Diogo Costa, que tem responsabilidades no golo sofrido diante de Marrocos, em detrimento de Rui Patrício, da falta de aposta em Rafael Leão, que não foi titular em nenhum jogo, e mesmo assim marcou dois golos, e até do regresso da novela Rafa, que a pouco tempo do Mundial renunciou à seleção, alegadamente por problemas com o técnico.
Lidar com o fim de uma história bonita é difícil. A ideia do "felizes para sempre" é algo que ouvimos repetidamente em criança e que almejamos cumprir na nossa vida, mas no campo do real tudo tem um fim e nem sempre é fácil lidar com isso. O final de carreira de Cristiano Ronaldo é prova disso, com vários momentos que mancham décadas de profissionalismo e glória.
Uns dirão que Fernando Santos deveria ter saído mais cedo, outros que este, pelo que conseguiu, mereceu cada uma das oportunidades que teve. Em dias que se discute a gratidão e ingratidão do povo português, é preciso sublinhar que nada isenta ninguém de críticas, muito menos quando alguém está numa posição de escrutínio público. Igualmente, será importante referir que por muito que se tenha criticado o técnico português, dificilmente algum dia lhe falhará um "obrigado" do país. Pelo que fez, será eterno.
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