As vindimas estão a decorrer em bom ritmo em toda a região bairradina, condicionadas pelas regras de distanciamento social por causa da pandemia covid-19, que levaram à imposição de novas regras e ao uso de máscaras, viseiras, luvas e outro material de proteção.

A vontade de evitar agrupamentos de trabalhadores em espaços confinados provocou uma mudança de comportamentos, nomeadamente na hora da refeições e em tarefas simples, mas a colheita das uvas não sofreu atrasos.

"Este ano será uma colheita normal em quantidade na nossa região, com um aumento de cerca de 10% em relação a 2019, que foi um ano com menos produção de que o normal", disse à Lusa Pedro Soares, presidente da Comissão Vitivinícola da Bairrada.

As condições climatéricas, com um setembro quente e seco e períodos de grande calor em junho e julho apontam para uma safra de grande qualidade.

"Até ao momento, o clima tem ajudado bastante. Depois de um período em maio em que foi necessário muita atenção na vinha, nomeadamente com o míldio, as coisas acabaram por correr bem e estamos uma vez mais a colher mais cedo que o esperado.

Pedro Soares e produtores contactados pela Lusa vaticinam um ano de qualidade.

"Em termos qualitativos será um ano de muito boa qualidade nos brancos e rosados, que estão praticamente todos colhidos, sendo que nos tintos a expectativa também é elevada", avança Soares, acrescentando que "é preciso aguardar mais um pouco por certezas".

Em 2009, a Comissão Vitivinícola da Bairrada certificou 9,2 milhões de garrafas, com a região a produzir cerca de 20 milhões de litros de vinhos espumantes e tranquilos, brancos, tintos e rosados.

A Bairrada lidera a produção de espumantes a nível nacional, com uma quota de marcado superior a 65%. As vendas são mais orientadas para a restauração do que para a distribuição em grandes superfícies.

A Bairrada tem atualmente cerca de 2.500 produtores vinícolas, que exploram 6.500 hectares de vinha, de acordo com os registos da Comissão Vitivinícola da Bairrada (CVB).

Desde 2015, a Comissão Vitivinícola da Bairrada apostou fortemente no projeto Baga, definindo critérios para a consolidação de um espumante monovarietal feito a partir da casta Baga, dominante na região.

O projeto, a que aderiram numa primeira fase os enólogos de algumas da principais caves da região (Primavera, Aliança Messias; São João, Quinta do Encontro) e os produtores Luís Pato e António Selas, passa por criar um produto diferenciado com novas regras e uma identidade gráfica própria, a fim de promover a região no país e além-fronteiras.

Para o sucesso do projeto tem contribuído a divulgação feita pela Associação Rota da Bairrada. Com 52 associados, a associação promove ativamente as riquezas turísticas, gastronómicas e vinícolas da Bairrada, com destaque para as belezas do Luso e da Curia, os vinhos e o tradicional leitão assado à moda da Bairrada, propondo cinco roteiros turísticos numa região que abrange os concelhos de Águeda, Aveiro, Cantanhede, Coimbra, Mealhada, Oliveira do Bairro e Vagos.

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