Depois do cancelamento, pela primeira vez nos seus 64 anos de história, de uma edição do Festival Eurovisão da Canção, a EBU (União Europeia de Radiodifusão) e a televisão pública holandesa decidiram organizar um espetáculo que prestará homenagem às 41 canções que estariam a concurso na edição deste ano — e à própria Eurovisão.

A 65.ª edição do Festival Eurovisão da Canção deveria realizar-se em Roterdão, nos Países Baixos, com as semifinais marcadas para os dias 12 e 14 e, a final para o dia 16.

É precisamente no dia da final que irá para o ar o "Eurovision: Europe Shine a Light", emissão que substituirá este ano o evento que reúne anualmente mais de quatro dezenas de países. E sim, o título do programa é uma referência ao tema que venceu em 1997 o concurso, "Love Shine A Light", dos britânicos Katrina and the Waves (a mesma banda que doze anos antes tinha dado ao mundo o sucesso "Walking on Sunshine").

O "Eurovision: Europe Shine a Light" decorre em Hilversum, uma vez que a Ahoy Arena de Roterdão, que deveria receber a Eurovisão, foi transformada num hospital de campanha. Esta será a segunda vez que a cidade no norte dos Países Baixos sediará um evento da Eurovisão, depois de receber o festival em 1958 (ano que popularizou o tema "Volare", na voz de Domenico Modugno).

Cantores, compositores e autores vão ser honrados num espetáculo não competitivo, sem votações, que pretende promover a união entre nações, valor defendido pelo Festival Eurovisão da Canção, como o explica Nuno Galopim, uma voz que já nos habituámos a ouvir na análise eurovisiva.

"Não deixando de dar visibilidade às músicas [deste ano], o 'Eurovision: Europe Shine a Light' visa celebrar o que é o espírito de um concurso que nasceu onze anos depois do fim da segunda guerra, para celebrar a diversidade da Europa através de canções. A celebração desse espírito é o que comanda a ideia do programa que vamos ver este sábado", desvenda.

Mas é a mesma coisa? "Nunca é. É impossível fazer a recriação daquilo que é o ambiente de cada edição do festival, especialmente desde que foi reinventado no princípio do século XXI, levando os fãs, as bandeiras e a festa para a plateia em frente ao palco. Toda essa exuberância, que acompanha o desfile das canções, nunca se consegue repetir. Vai faltar esse encantamento".

O comentador falou com o SAPO24, por telefone, na manha desta sexta-feira. Se o novo coronavírus não tivesse alterado os destinos eurovisivos, estaria por essa altura em Roterdão numa "reunião de comentadores, a preparar todos os detalhes da final".

"Os comentadores reúnem-se e são-nos apresentados todos os detalhes, aprendemos com os colegas dos outros países a pronunciar corretamente os nomes dos artistas e das canções, e são-nos dadas informações técnicas, acessos e questões de segurança", conta.

Neste espetáculo nada faltará aos cânones eurovisivos a que já nos habituámos: música, alguma excentricidade, a já referida diversidade... Nada faltará à exceção do aspecto competitivo. Não haverá votação, "que faz parte de qualquer coisa que tenha de raíz um concurso".

"Não há o factor surpresa. É como se tivéssemos apenas a viver a primeira parte dos programas, aquela em que já sabemos o que vai acontecer e na qual não estamos, de repente, sujeitos a ser surpreendidos", lembra. Isto porque, "apesar das sugestões acumuladas, apesar das famosas casas de apostas, há tendências e expectativas".

Apesar de não haver vencedores ou vencidos, há sempre favoritos. Como refere Nuno Galopim, "havia canções que estavam a colher mais entusiasmo", como as da Bulgária, Itália, Suíça, Lituânia ou Islândia. Mas só "podemos ter uma ideia de quem seriam os possíveis vencedores, com base no que eram as tendências no início de março. Mais do que nunca, este ano ficam as incógnitas de quem poderiam ser os reais vencedores".

O jornalista e radialista fará os comentários do evento que, em Portugal, será transmitido pela RTP (e também na RTP Internacional e RTP Play) a partir das 21h00 deste sábado.

O que vamos poder ouvir

Com a duração de duas horas, "Europe: Eurovison Shine a Light" será conduzido pelos holandeses Chantal Janzen (representante de 1998), Edsilia Rombley (representante de 2007) e Jan Smit, mas não estarão sozinhos nesta emissão: a eles juntam-se, por exemplo, Graham Norton, apresentador da BBC, e a sensação holandesa do YouTube, NikkieTutorials.

O "Eurovisão: Europa Shine a Light" também pretende reunir “os artistas de 2020, a partir das suas localizações pela Europa, numa 'performance' de um sucesso da Eurovisão, com letras unificadoras, apropriadas para a situação em que o mundo se encontra”.

Ao espetáculo irão juntar-se também "artistas conhecidos de edições anteriores da Eurovisão", convidados a participar “na ligação da Europa através de canções familiares do passado, interpretadas em locais icónicos da Europa”.

Michale Schulte, representante da Alemanha em 2018, vai acompanhar Ilse DeLange (representante dos Países Baixos em 2014 nos The Common Linnets) num dueto de "Ein Bisschen Frieden" – canção que levou a Alemanha à sua primeira vitória (1982).

Os vencedores de 2007, Marija Šerifović, e de 2015, Måns Zelmerlöw, cantarão os seus temas vitoriosos, "Molitva" e "Heroes", respetivamente. Já Netta, que ganhou em 2018 em Lisboa, apresentará uma versão acústica de uma nova canção com uma mensagem especial sobre o momento atual.

Também de Israel vem Gali Atari, que interpretará o sucesso que a levou à vitória em 1979, "Hallelujah", acompanhada de um coro de antigos participantes no Festival Eurovisão da Canção Júnior (JESC). Duncan Laurence, vencedor do festival do ano passado pelos Países Baixos, participará com o lançamento de uma nova canção.

O "Eurovision: Europe Shine a Light" contará com a Orquestra Filarmónica de Roterdão e com os 41 artistas desta edição, a partir dos seus países, numa interpretação única de "Love Shine a Light". O tema que iria representar Portugal, “Medo de Sentir”, composto por Marta Carvalho e interpretado por Elisa, faz parte do alinhamento, "bem como uma mensagem especial que Elisa gravou para os fãs", de acordo com a RTP.

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