O portal do Ministério da Educação (ME) apresenta dados estatísticos dos cerca de 725 mil alunos do ensino básico e secundário que frequentam as quase três mil escolas públicas e privadas situadas no continente.

Este ano, o ME decidiu apresentar novos indicadores que “permitem comparações de qualidade”, disse hoje o secretário de Estado da Educação, João Costa, sublinhando que o ministério não quer ‘rankings’ que “estimulem a seleção de alunos” ou que “estimulem a retenção” de estudantes que poderiam baixar as médias, caso fossem a exame.

Assim, a comparação dos desempenhos dos alunos e das escolas é feita tendo em conta estudantes com resultados académicos semelhantes e passa a haver critérios que complementam a avaliação externa (os resultados dos exames nacionais) com a avaliação interna (os resultados ao longo do ano), explicou o responsável.

O ‘site’ divulga as taxas de retenção ou desistência de cada escola, as médias nas provas nacionais ou a percentagem de percursos diretos de sucesso dos alunos do ensino secundário, uma novidade.

Este novo indicador (até agora só havia dados para os 2.º e 3.º ciclos) analisa apenas os alunos que não chumbaram no secundário e obtiveram positiva nos exames nacionais do 12.º e depois compara-os com estudantes com resultados académicos semelhantes à entrada no secundário.

"Este indicador não premeia a retenção e ao mesmo tempo não premeia a seleção de alunos, porque estamos a comparar alunos comparáveis. Uma escola que recebe alunos de nível dez e os leva a 17 é uma escola muito melhor do que uma que recebe alunos de 15 e os leva a 17, porque o resultado daquela escola é muito mais rico", explicou o secretário de estado, defendendo que "comparar apenas médias é muito pobre".

Segundo o subdiretor-geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), João Batista, "com este indicador vão aparecer dois tipos de escolas (a encimar as tabelas): as que normalmente já estão no topo dos ‘rankings’, que já recebem alunos muito bons, e escolas que recebem alunos medianos ou com dificuldades, mas que conseguem recuperá-los e ter resultados sólidos”.

Outra das novidades é a apresentação dos resultados académicos dos alunos nos exames das diferentes disciplinas do secundário: “Há vida para além do Português e da Matemática”, sublinhou João Costa.

O ‘site’ apresenta os resultados das escolas nas provas nacionais realizadas a 22 disciplinas, sendo que o número de disciplinas pode variar porque o ME não disponibiliza resultados nos estabelecimentos de ensino em que se realizaram menos de 20 provas.

“Com a análise de mais disciplinas, as escolas podem perceber se há algum problema com alguma disciplina”, sublinhou o secretário de estado.

Será possível perceber se a nota que obtiveram a determinada disciplina está dentro da média esperada para estudantes com percursos académicos semelhantes, graças a outro novo indicador: a Evolução do percentil nacional da escola medido pela classificação média dos seus alunos.

"Nós temos um histórico de muitos anos em que não temos dados sobre uma série de disciplinas. Nós não sabemos como é o ensino da disciplina de História ou da Físico-química em Portugal e precisamos de dados sobre isso", sublinhou João Costa, garantindo que caso sejam detetados problemas a nível nacional a uma disciplina então "serão canalizados recursos de formação".

Outro dado novo é o indicador de desigualdade, que permite perceber se, dentro de uma escola, os alunos tiveram notas próximas, uns dos outros, ou se existem grandes disparidades: “É aquela ideia da média em que cada um come meio frango, mas depois quando vamos ver eu comi um frango e a pessoa ao meu lado não comeu nenhum”, exemplificou o secretário de Estado.

Este novo indicador permite perceber se, por exemplo, numa escola com média de 15 os alunos tiveram todos 15 ou se um teve 20 e outro teve dez. “Uma escola em que todos têm 15 é menos preocupante”, concluiu João Costa.

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