“É uma homenagem à cidade da Beira e não seria justo que eu começasse por lançar este livro fora da cidade que é a mãe desta história”, disse à Lusa, à margem do evento no auditório da Faculdade de Economia da Universidade Católica de Moçambique.

“É uma história que se desenvolve a partir da minha memória sobre a minha cidade”, explicou, ao realçar a importância da urbe: “aqui me transformei num contador de histórias”.

No livro “O Mapeador de Ausências”, um poeta desloca-se pela primeira vez em muitos anos à terra natal, nas vésperas do ciclone que a arrasou em 2019 – numa alusão ao Idai, ciclone que atingiu o centro de Moçambique em março do último ano, e provocou 603 mortos e afetou a vida, até hoje, de dezenas de milhares de pessoas.

“Há um poeta que vem à procura da sua infância” e que “vai começar a perceber que aquilo que é presente para ele no sentido temporal, nasce da ausência de alguém”, descreveu.

Na obra, Mia Couto recorda o pai – o jornalista e poeta Fernando Leite Couto – entre outras figuras que, apesar de ausentes, permanecem vivas nas suas memórias.

O autor cresceu durante a época da guerra pela independência de Moçambique e hoje lança “O Mapeador de Ausências”, numa altura em que o país é palco de outros confrontos armados, no centro e norte, apelando a que as histórias das vítimas não fiquem por contar.

“Acho importante que a informação”, através dos órgãos de comunicação social, “transmita não só relatórios sobre as agressões, os ataques feitos por terroristas, mas construa a história das pessoas que estão a ser assassinadas”.

Autor de mais de 30 livros, Prémio Camões em 2013, Mia Couto regressa ao romance depois de ter publicado em 2019 a coletânea de textos de intervenção cívica “O Universo num Grão de Areia” e “O Terrorista Elegante”, três novelas curtas escritas em parceria com o escritor angolano José Eduardo Agualusa.

“O Mapeador de Ausências” será publicado em Portugal em novembro, pela Editorial Caminho.

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