“A galinha de cabidela, por exemplo, é o nosso frango ao molho pardo”, explicou o mentor da Plataforma Fartura e organizador da iniciativa, Rodrigo Ferraz, exemplificando como a cultura gastronómica portuguesa atravessou o Oceano Atlântico e originou iguarias brasileiras.

Esta é a segunda edição portuguesa do Festival Fartura – Comidas do Brasil e Portugal e resulta de um roteiro por todo o país, através do qual a equipa de Rodrigo Ferraz procurou recolher os elementos gastronómicos mais característicos de cada região, à semelhança do que fez nos últimos dez anos no Brasil.

Na base do projeto está a valorização da cadeia produtiva, que representa no Brasil mais de 20% do Produto Interno Bruto (PIB), diz o diretor-geral da Plataforma.

“Fizemos uma grande viagem pesquisando o valor económico dessa cadeia. Percorremos os estados todos”, adiantou Rodrigo Ferraz, destacando também o valor do património cultural.

“Somos o que comemos”, referiu o empresário.

Em cada região descobriram-se produtos, produtores, mercados, receitas. O projeto, que começou por estar associado ao festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes (Minas Gerais), foi crescendo e deu origem a livros, filmes e programas de rádio, até se autonomizar, em 2012 sob a marca Fartura “para mostrar a riqueza gastronómica do Brasil”.

Mais de 70 mil quilómetros depois e percorridos os diferentes estados brasileiros, Rodrigo Ferraz decidiu procurar as raízes portuguesas.

“Qual é uma das nossas origens? Portugal. Por isso, decidimos fazer aqui uma primeira edição, no ano passado, e ficamos tão impressionados com a riqueza gastronómica que resolvemos fazer também uma expedição em Portugal”, disse o responsável da Plataforma Fartura.

O festival, que promete “uma viagem de sabores, da origem ao prato, pelos dois países” delega nos ‘chefs’ portugueses e brasileiros a tarefa de mostrar “como se ligam e se cruzam” os elementos gastronómicas.

“As influências são inúmeras, desde a feijoada ao modo de preparar o peixe, o ato de comer, os temperos…Mas ainda há um desconhecimento muito grande por parte dos portugueses”, considerou Rodrigo Ferraz, acrescentando que um dos objetivos do Fartura é precisamente apresentar “esta riqueza”.

Além de degustações e demonstrações de cozinha ao vivo, vai ser possível conversar e aprender com os ‘chefs’. Do lado do Brasil e a representar os seus estados de origem estão Ariani Malouf (Mato Grosso), Bel Coelho (São Paulo), Caetano Sobrinho (Minas Gerais), Carlos Kristensen (Rio Grande do Sul), Felipe Gemaque (Pará) e Ivan Prado (Ceará).

Portugal conta com as presenças dos ‘chefs’ Ana Moura, Hugo Brito, João Rodrigues, Vitor Sobral e Justa Nobre.

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