No documento que hoje baixou para a Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas na Assembleia da República para discussão, os deputados socialistas Santinho Pacheco e Maria Antónia Almeida Santos propõem que a Assembleia da República recomende ao Governo que avalie, em colaboração com as autarquias locais, "a possibilidade de criação de um Centro para a Promoção e Valorização da Cestaria de Gonçalo", no concelho da Guarda.

O PS defende que seja definida a "Cestaria de Gonçalo", através "das suas características materiais e artísticas, com vista a assegurar um processo de certificação" e "a promoção, controlo, certificação e fiscalização da qualidade, genuinidade e demais preceitos" daquela produção artesanal.

"Incentivar e apoiar a atividade da ‘Cestaria de Gonçalo', em colaboração com outras entidades, públicas ou privadas", bem como a promoção de estudos com vista à divulgação e valorização, promoção de ações de formação e valorização profissional, são outras das sugestões.

O projeto de resolução também propõe que o Governo "avalie a melhor forma de habilitar a existência de uma classificação da ‘Cestaria de Gonçalo' quanto à sua origem e qualidade" para que "seja inscrito em cada cesto o local de manufatura" e que "se avaliem e identifiquem os materiais, o modelo, o tamanho, a forma e o tipo de manuseamento utilizado pelos artesãos".

Os deputados Santinho Pacheco e Maria Antónia Almeida Santos justificam a apresentação do projeto de resolução por a vila de Gonçalo ser conhecida como "a Terra dos Cesteiros".

"Esta vila beirã é, seguramente, o berço da cestaria fina portuguesa e a grande maioria dos cesteiros, em qualquer zona de Portugal, tem as suas raízes nessa localidade", esclarecem.

Assinalam também que, "embora a produção de cestos em vime ou verga ainda represente um papel relevante na economia local, a arte da cestaria, como muito do artesanato nacional, atravessa a sua maior crise de sempre, caminhando a passos largos para o seu desaparecimento se nada for feito para a recuperar nas vertentes cultural e económica".

"Os cesteiros de Gonçalo precisam de repensar novas formas de escoamento da sua produção e de preservar a marca autêntica da sua arte", referem no documento.

Segundo os socialistas, a crise económica traduziu-se localmente "pela diminuição de encomendas e pelo abandono da arte" da cestaria por parte dos mais jovens.

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