Quando nasci, esse país já não existia. Nasci num mundo novo, já meia dúzia de anos após o fim do mundo velho, após a queda das cortinas, das barreiras. Hoje, comemoram-se trinta anos do derrube do muro de Berlim, na Alemanha. A barreira física caiu, mas ainda há diferenças que persistem nas duas metades do colosso europeu.

Durante 28 anos, 161 quilómetros de betão e arame farpado separaram, não só geografias, como vidas, na Alemanha. A separação dos amigos ou familiares, o dia-a-dia condicionado por um muro, ou as restrições de um regime ditatorial provocaram efeitos negativos que, em muitos casos, ainda não sararam.

Porém, mais do que as diferenças no desenvolvimento territorial, há outros que ainda persistem — que lá longe na Alemanha, quer aqui mesmo.

Quem mo contou foram vários jovens no Porto. Preparámos uma reportagem sobre muros e aquilo que estas pessoas me contaram foi que sentem barreiras — económicas, sociais, sexuais, raciais — nas suas vidas.

Como as demolir? Aí, as certezas desaparecem. O Óscar, que abordei à porta da Faculdade de Letras, sugere a educação.

Em Filosofia, no 10.º ano, aprendi sobre a legitimidade da mentira. Mentir não é sempre errado, porque há momentos em que, pelo bem maior, a ocultação da verdade se torna na ação mais correta.

É essa a premissa de “Adeus, Lenine”, um filme alemão que retrata a queda do muro de Berlim, mas na respetiva do desabamento dos mundos. Pessoas havia para quem aquela realidade, aquele país, eram pátria, casa, mundo.

Ideologias à parte, é também o fim das vidas a que essas pessoas estavam habituadas que este dia marca.

Também Marcelo Rebelo de Sousa admitiu hoje que em todo o mundo, e até em Portugal, existem muros que precisam de ser derrubados.

“Que muros? Os muros da desigualdade e da pobreza, os muros da desigualdade económica social e cultural, os muros da incompreensão da intolerância cultural, os muros que agora estão a levantar-se outra vez, da exclusão daquilo que vem de fora, do que é diferente”, descreveu.

A solução é, para o chefe do Estado, demolir esses muros, que de “tanto em tanto tempo erguem-se”.

À roda dos muros e dos mundos, eu sou o Pedro Soares Botelho e hoje o dia foi assim.

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