Se a história da pandemia se faz de avanços e recuos, ao mesmo ritmo tem ido o capítulo relativo à vacinação — mais concretamente quando o fármaco em questão é a vacina da AstraZeneca.

Vejamos então, de forma breve, o que tem acontecido:

O primeiro alerta: Tudo começou  a 11 de março, com a Dinamarca a ser o primeiro país a decidir suspender a administração da vacina da AstraZeneca, na sequência da deteção de casos invulgares de trombose em vários doentes vacinados. Devido aos relatos de aparecimento de coágulos sanguíneos e da morte de pessoas inoculadas com este fármaco, vários países europeus, incluindo Portugal, decidiram seguir os mesmos passos;

A garantia: A 18 de março, a Agência Europeia do Medicamento (EMA) assegurou que a vacina da AstraZeneca contra a covid-19 "é segura e eficaz", tendo referido que não estava associada aos casos de coágulos sanguíneos detetados e que levaram à suspensão do seu uso;

Depois do recuo, novos avanços: No mesmo dia, foram vários os países que anunciaram a retoma do uso desta vacina: Itália, França, Alemanha, Espanha e Portugal. Depois destes, outros seguiram o mesmo rumo;

O segundo alerta: Novamente pela Dinamarca, a 25 de março, chega a decisão de manter a suspensão da vacina por mais três semanas, apesar das garantias de segurança pelo regulador europeu e pela Organização Mundial de Saúde. O país alegou que precisava de "mais tempo" para excluir inteiramente uma ligação entre os casos conhecidos de coágulos sanguíneos;

Garantia em dobro: No mesmo dia, o Comité de Avaliação dos Riscos em Farmacovigilância da EMA "confirmou que a vacina não está associada a um aumento do risco geral de coágulos sanguíneos e que os benefícios da vacina no combate à ameaça, ainda generalizada, da covid-19 continuam a superar os riscos dos efeitos secundários";

A necessidade de um acerto: Dias depois, o Comité Nacional de Aconselhamento sobre Imunização do Canadá recomendou uma pausa na vacinação da AstraZeneca contra a covid-19 a pessoas com menos de 55 anos. De seguida, a Alemanha decidiu suspender a administração do fármaco a menores de 60 anos. Já em abril, os Países Baixos tomaram a mesma decisão. Além disso, hoje o Reino Unido anunciou a suspensão do ensaio clínico que estava a ser feito em crianças;

Uma mudança de nome: A 30 de março, a vacina da AstraZeneca contra a covid-19 passou a denominar-se Vaxzevria após o aval da Agência Europeia do Medicamento. Nesta altura, tinham sido administradas 10 milhões de doses deste fármaco;

Uma investigação, mas a mesma garantia: No dia seguinte, a EMA voltou a garantir "não existirem provas" científicas que recomendem a restrição do uso da vacina, insistindo não existir "relação casual" com os episódios de coágulos sanguíneos. Todavia, anunciou a abertura de uma investigação de 62 casos de trombose após a toma da Vaxzevria;

Afinal ainda não há uma conclusão: Hoje, 6 de abril, a Agência Europeia do Medicamento esclareceu que ainda está a avaliar a possível ligação entre a vacina da AstraZeneca contra a covid-19 e a formação de tromboembolismos, após um responsável da instituição ter confirmado essa relação ao jornal italiano ‘Il Messaggero’;

Sempre os benefícios: Apesar disso, a OMS veio lembrar novamente que os benefícios do uso da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca superam os riscos, de acordo com os dados mais atuais. Mesmo assim, foi admitida para os próximos dias uma "avaliação mais conclusiva".

Com tudo isto, por cá o Infarmed rejeita tomar qualquer posição unilateral sobre a alegada ligação da vacina da AstraZeneca e a formação de tromboembolismos em pessoas vacinadas antes de a Agência Europeia do Medicamento anunciar uma conclusão.

"Procuramos obter uma imagem clara do que se está a passar, para definir precisamente esta síndrome devido à vacina. Entre os vacinados, há mais casos de trombose cerebral em pessoas mais jovens do que seria de esperar. Isto teremos de dizer", afirmou fonte do Infarmed à Agência Lusa.

No mesmo sentido, também a ‘task force’ que coordena o plano de vacinação contra a covid-19 já informou que vai manter a vacina da AstraZeneca no processo até surgir uma posição oficial da EMA, da DGS e do Infarmed.

No fim de contas, fica a expressão usada hoje na conferência de imprensa de António Costa, depois de reunido com os presidentes dos sete concelhos de maior risco: pode haver um "berbicacho" nesta história da AstraZeneca — e isso vai, inevitavelmente, atrasar o processo de vacinação também no nosso país.

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