Correu a notícia nos meios internacionais de que o Irão teria abolido a polícia da moralidade, uma força que detém especialmente mulheres que não usam o véu islâmico de acordo com os códigos ditados pelo país. A informação vinha do procurador-geral iraniano, Mohamad Jafar Montazeri.

Todavia, escreve o The Guardian que não houve confirmação de tal decisão por parte do Ministério do Interior, que tem esta polícia a seu cargo, e os media estatais iranianos frisam que Montazeri não é responsável por supervisionar esta força.

O que poderia justificar esta medida? 

O Irão vive protestos generalizados desde 16 de setembro, após a morte sob custódia policial da jovem curda Mahsa Amini, de 22 anos, detida pela polícia da moralidade por supostamente usar o véu islâmico de forma inadequada.

“Isto não é um protesto, isto é uma revolução”, “não queremos a República Islâmica”, “morte ao ditador”, são algumas das frases que os manifestantes têm gritado nas manifestações de rua ou à noite das janelas das suas casas. Há também registos escritos nas paredes desde setembro passado.

Qual o impacto dos protestos até agora?

Segundo o Conselho de Segurança do Irão, desde o início dos protestos "mais de 200 pessoas" morreram, mas organizações não-governamentais (ONG) estrangeiras, como a Iran Human Rights (IHR), com sede em Oslo, estimam o número de mortos em 448 devido à forte repressão policial.

Além disso, pelo menos 2.000 pessoas foram acusadas de vários crimes pela sua participação nas mobilizações, das quais seis foram condenadas à morte.

O que significaria a abolição da polícia da moralidade? 

Para os analistas, o fim da polícia da moralidade seria uma cedência ao movimento popular de protesto que o país vive há três meses.

O que disse Montazeri? Está mesmo a mudar alguma coisa no Irão?

Montazeri explicou que esta polícia "não tem nada a ver com o poder judicial", que continuará a fiscalizar o comportamento em nível comunitário.

O procurador-geral do país destacou ainda que o vestuário feminino continua a ser muito importante, principalmente na cidade sagrada de Qom, ao sul de Teerão.

"O mau ‘hijab’ (véu islâmico) no país, especialmente na cidade sagrada de Qom [o centro teológico do Irão], é uma das principais preocupações do poder judicial, bem como da nossa sociedade revolucionária, mas deve-se notar que a ação legal é o último recurso e medidas culturais precedem qualquer outro", justificou.

Como reagiu a população?

O anúncio foi recebido com ceticismo por parte dos iranianos nas redes sociais, havendo utilizadores a manifestar o receio de que as funções da estrutura abolida sejam, a partir de agora, assumidas por outro órgão parecido.

Por outro lado, há quem refira a forte pressão que as próprias famílias exercem sobre as mulheres iranianas quanto ao uso do véu islâmico.

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