Dilma Ferreira Silva, coordenadora do MAB, o seu marido, Caludinor Costa da Silva, e um homem identificado como Hilton Lopes foram baleados numa área rural a 60 quilómetros da cidade de Tucuruí, na Amazónia, por razões ainda desconhecidas.

O MAB exigiu em comunicado a “investigação rápida do crime” e a implementação de “medidas de segurança para os atingidos por barragens em todo o Brasil”, país que em janeiro passado testemunhou uma das piores tragédias mineiras do mundo, após a rutura de uma barragem em Brumadinho, no Estado de Minas Gerais.

Um mar de lama arrasou, em segundos, as casas adjacentes à barragem e parte das instalações da Vale, a maior produtora e exportadora mundial de ferro, provocando 209 mortos e 97 desaparecidos.

“O assassinato de Dilma é mais um triste momento na história dos atingidos por barragens, que hoje comemoravam o Dia Internacional da Água”, destacou o movimento nas suas redes sociais.

A Comissão Pastoral da Terra, uma organização ligada à Igreja Católica, referiu que o acampamento onde as três pessoas foram mortas tem um histórico de conflitos.

O terreno foi ocupado há 12 anos por 400 famílias ligadas ao Movimento dos Sem Terra e desde então o acampamento tem sido alvo de vários ataques.

Segundo aquela Comissão Pastoral, se se confirmar que os assassinatos estão relacionados com conflitos agrários, este será o primeiro confronto com mortes no campo desde o início do ano.

A morte de Dilma Ferreira Silva foi anunciada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e pela ex-Presidente brasileira Dilma Rousseff, que em 2011 teve uma audiência com a coordenadora do MAB e obteve um documento com diversos pedidos do movimento.

Rousseff disse em comunicado que Dilma Ferreira e as outras duas pessoas mortas são “as novas vítimas da violência no campo”, referindo que a morte da líder do MAB foi “autorizada pelo discurso de ódio e pela negligência do atual Governo” do Presidente Jair Bolsonaro.