O anúncio de Bolsonaro surge na sequência da decisão do Governo cubano de suspender o programa 'Mais Médicos', que permitiu que os médicos deste país prestassem serviços nos municípios brasileiros remotos e pobres.

"Se eu for o Presidente e um desses médicos decidir pedir asilo, ele o terá", assegurou o futuro chefe de Estado brasileiro, numa conferência de imprensa, em Brasília, capital do país.

Bolsonaro disse ainda que os governos do Partido dos Trabalhadores (PT), primeiro com Lula da Silva e depois com Dilma Rousseff, ameaçaram de deportação imediata os médicos cubanos que solicitaram asilo no Brasil e, por isso, foram poucos os que tentaram o procedimento.

"Não podemos admitir isso. Não podemos ameaçá-los como fizeram os governos do PT, podemos oferecer-lhes asilo", disse o recém-eleito Presidente.

O anúncio de asilo pode beneficiar parte dos 11.000 médicos cubanos que oferecem os seus serviços atualmente no Brasil, através daquele programa e que terão de regressar ao seu país, após a decisão do Governo de Cuba de suspender a sua participação na iniciativa, por rejeitar "as palavras ameaçadoras e depreciativas" de Bolsonaro sobre o projeto.

O programa em causa é uma iniciativa dos governos socialistas do PT, importantes aliados de Cuba na América Latina, e prevê a contratação de profissionais estrangeiros para assistir a população brasileira em áreas remotas, isoladas e pobres.

Jair Bolsonaro disse que a suspensão do programa foi anunciada "unilateralmente pela ditadura cubana", sem ter em conta os danos que pode causar na população pobre do Brasil.

O político da extrema-direita adiantou que o Brasil deve rever o contrato para identificar se há possibilidade de sanção caso o acordo seja rescindido unilateralmente por uma das partes.

Bolsonaro acrescentou que os cubanos poderão ser substituídos pelos quase 20 mil médicos que o Brasil forma anualmente e por médicos de outros países que queiram participar no programa.

O Presidente eleito do Brasil acrescentou que nunca escondeu a sua rejeição ao programa 'Mais Médicos' por razões humanitárias e trabalhistas, já que, na sua opinião, os clínicos cubanos são forçados a viajar sem familiares e recebem apenas 30% do salário que lhes é atribuído, sendo que os restantes 70% são destinados ao Governo de Cuba.

"É desumano deixar esses profissionais longe de suas famílias, muitas mulheres estão aqui enquanto que os seus filhos menores não podem sair de Cuba", declarou Bolsonaro, referindo que se opôs ao programa também “porque 70% do salário é confiscado pela ditadura cubana".

O antigo capitão do exército também criticou a decisão do governo de Dilma Rousseff de não exigir que os médicos cubanos realizem um exame no Brasil para revalidar o seu diploma, como é exigido a médicos de outros países e aos próprios brasileiros que se formam no exterior.

"Não temos nenhuma prova de que esses cubanos sejam médicos e estejam aptos para o serviço", frisou Jair Bolsonaro, acrescentando, sem precisar: "Ouvimos histórias de atrocidades cometidas por médicos cubanos, essas pessoas (maus profissionais) não podem continuar no Brasil”.

Em cinco anos, cerca de 20 mil funcionários cubanos atenderam mais de 113 milhões de pessoas em mais de 3.600 municípios do Brasil.

Porque o seu tempo é precioso.

Subscreva a newsletter do SAPO 24.

Porque as notícias não escolhem hora.

Ative as notificações do SAPO 24.

Saiba sempre do que se fala.

Siga o SAPO 24 nas redes sociais. Use a #SAPO24 nas suas publicações.