“Portugal tinha de estar presente. Portugal está na linha da frente desta luta e, com a enorme comunidade que tem na Venezuela, está presente e diz não à violência contra as mulheres”, disse à Lusa o conselheiro político da Embaixada de Portugal em Caracas.

Pedro Ataíde, que também participou na iniciativa, referiu que “esta corrida tem uma importância muito grande, porque é, de todas as iniciativas da abolição, da luta contra a violência contra a mulher, a atividade mais visível na cidade de Caracas”, com um grande número de participantes.

O conselheiro político da embaixada de Portugal frisou ainda que a t-shirt de cor de laranja utilizada pelos participantes será depois vista “pela cidade inteira, em todos os sítios onde se corre e onde se faz desporto”.

“Veem-se muitas crianças e pessoas mais velhas. É muito importante que todas as gerações saibam e que partilhem que é inadmissível qualquer ato de violência contra as mulheres numa sociedade contemporânea”, sublinhou.

O embaixador da União Europeia na Venezuela, Rafael Dochao, explicou à agência Lusa que fez uma caminhada de 10 quilómetros, num dia que “é fundamental”.

“Anteontem foi o Dia Mundial contra a Violência contra as Mulheres e hoje nós reunimos aqui centenas de pessoas, embaixadores europeus, gente das Nações Unidas e pessoas comuns. E estamos precisamente todos contra este tipo de violência”, disse o diplomata.

“A União Europeia, como sempre, está na primeira linha neste tipo de ações que têm um conceito lúdico e reivindicativo, mas muitas pessoas juntaram-se a nós”, acrescentou.

O diplomata explicou que desde há vários dias tem recebido mensagens de correio eletrónico e nas redes sociais encorajando a iniciativa, para que a organização continue a apelar à segurança das mulheres.

Segundo Jorge González Caro, representante local do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês), “a violência contra as mulheres começa a partir de ações muito pequenas” que é preciso travar.

Terminada a corrida, foi entregue um cheque de 3.000 dólares das receitas obtidas durante as inscrições à Associação Civil Niña Madre, uma organização não-governamental (ONG) venezuelana que combate o abuso contra as mulheres.

Nos primeiros 10 meses deste ano, Venezuela registou 193 assassinatos de mulheres pelas mãos de homens que faziam parte das suas vidas, o que dá uma média de um feminicídio a cada 37 horas, segundo o balanço atualizado na sexta-feira pela ONG Utopix.

Em 24 de novembro, o procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, informou que, de agosto de 2017 a novembro deste ano, foram registados 1.202 feminicídios e tentativas do crime.

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