O contexto já era preocupante e a pandemia veio adensar as incertezas sobre a profissão. À beira de escolher um novo líder, os arquitetos portugueses lidam com um cenário de mudanças, que vão desde a forma de trabalhar à própria conceção dos projetos.

As eleições para a Ordem dos Arquitetos arrancaram nesta quarta-feira, 17, e contam com quatro nomes à frente das listas — Daniel Fortuna do Couto, Cláudia Costa Santos, Célia Lourenço Gomes e Gonçalo Byrne. O processo prolonga-se até ao dia 26 deste mês e introduz alterações na própria estrutura da instituição.

O SAPO24 foi conhecer as propostas, mas, sobretudo, aquelas que anteveem ser as mudanças na forma como as casas, as cidades e a própria profissão vão refletir os efeitos da pandemia: do confinamento, do distanciamento e do turismo.

São quatro conversas, ao telefone, sem programas eleitorais — apenas com a arquitetura nos olhos, para percebermos que a chave para muitos dos problemas das cidades está à distância de um traço.

Aqui fica uma lista com algumas das ideias para repensar os espaços onde habitamos, trabalhamos e vivemos em comunidade dos quatro candidatos à liderança da Ordem dos Arquitetos.

(clique no nome dos candidatos para ler as entrevistas completas)

Lista A: Daniel Fortuna do Couto

  • Não ser permitido fazer habitação sem pelo menos duas frentes, garantindo exposição solar;
  • Atenção aos espaços de higienização à entrada dos edifícios, das habitações e aos espaços de transição entre o dentro e fora;
  • Evolução para tecnologias associadas à construção mais amigáveis, no sentido de haver menos contacto.

Lista B: Cláudia Costa Santos

  • Resolver a falta de espaços exteriores;
  • Resolver situações de habitações com espaços interiores sem ventilação natural;
  • Aumentar o metro quadrado por pessoa para manter as distâncias de segurança;
  • Pé-direito necessário para que haja uma ventilação constante.

Lista C: Gonçalo Byrne

  • Ter um mínimo de exposição solar em todos os compartimentos da casa durante o dia;
  • Evitar casas que só tenham janelas para norte, porque recebem pouco sol;
  • Áreas e de espaços de habitar serem mais generosos, para se poder, de algum modo, ter condições de maior privacidade e poder  permanecer o dia todo em casa;
  • Escritórios podem aproximar-se da residência, sobretudo para as pequenas e médias empresas e de trabalho partilhado.

Lista D: Paulo Serôdio Lopes

  • Os bairros terão de se reformular para  terem equipamentos e unidades de comércio local que possam servir as pessoas sem as obrigar a deslocar-se muito;
  • Mais jardins, mais parques, com uma construção com menos densidade;
  • As casas vão ter de ser repensadas para acolher os espaços de trabalho;
  • Zonas de descompressão entre o espaço de trabalho e o espaço de convívio da família;
  • Maior separação entre as pessoas e a ideia da planta livre vai provavelmente deixar de existir, havendo espaços mais compartimentados;
  • As mesas onde as pessoas trabalham vão ter de ser maiores, porque vai ter de haver maior distanciamento entre as pessoas.

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