O desafio Ding Dong funciona como uma espécie de corrida de estafetas, com passagens de testemunho. A Catarina irá partir de Lisboa e viajar até Santarém, onde passará a "pasta" à Anna, que visitará Arouca e que, por sua vez, passará o testemunho ao Afonso, que termina a viagem no Gerês. E poderá acompanhar toda a viagem nas redes sociais de cada um bem como nas do projeto Ding Dong. Mas afinal de contas, o que é o Ding Dong?

O que é?

O objetivo do Ding Dong é mostrar os melhores projetos verdes, ativos em diferentes partes do país, ao mesmo tempo que se ensina como fazer viagens com o mínimo de impacto ambiental possível. Mas, não foi só em Portugal que a iniciativa aconteceu, sendo que outros quatro países se juntaram ao projeto: Bélgica, Alemanha, Grécia e Lituânia. Ou seja, um total de 15 influencers de cada um destes países irão visitar mais de 70 projetos verdes nos seus territórios. 

A campanha durará seis semanas, desde a preparação para a viagem, o percurso e, claro, o destino final: a visita a projetos sustentáveis, onde os criadores de conteúdo irão participar fisicamente num grande "desafio verde" com o resto da comunidade. Além disso, haverá mini-desafios que lhes são lançados ao longo da viagem, promovendo a sustentabilidade em várias áreas e tarefas. Exemplos? Viajar com apenas cinco peças de roupa ou como fazer compostagem com caixas de esferovite. 

Porquê “Ding Dong”?

Pode parecer um nome um tanto ou quanto peculiar, mas a razão pela qual foi escolhido é bastante simples.

Num momento em que a ação climática é mais exigida do que nunca, a União Europeia quer fazer da Europa o primeiro continente do mundo neutro em carbono até 2050. Por isso, quis mostrar alguns dos melhores projetos sustentáveis a nível europeu, dando a conhecer o que diversas zonas têm para oferecer. 

Assim, tal como indica o nome, o desafio Ding Dong irá trazer várias iniciativas ecológicas verdes europeias à “sua porta”, sendo "ding dong" um som associado a uma campainha.

Zero Waste Lab
créditos: Diogo Grilo

O combate ao desperdício na Capital Verde Europeia 2020

Lisboa é, desde janeiro, a Capital Verde Europeia 2020 e ao longo deste ano foram vários os eventos realizados para assinalar esse facto. A capital portuguesa foi a cidade europeia que mais evoluiu em todos os doze indicadores avaliados pelo júri que define a atribuição de Capital Verde. Foram vários os compromissos assumidos e as metas ambientais definidas pela cidade, como por exemplo o objetivo de atingir a neutralidade carbónica até 2050 (em linha com a União Europeia, de resto), a redução em 50% dos resíduos indiferenciados enviados para incineração até 2030, a meta de 60% de taxa de reciclagem e preparação para reutilização até 2030 (atualmente situa-se a mais de 30%), entre outros. 

Por isso mesmo, um dos primeiros desafios verdes a acontecer foi em Lisboa, onde Catarina Barreiros aprendeu sobre o impacto ambiental e social de um estilo de vida sem resíduos. Para isso, visitou a associação Zero Waste Lab (ZWL) e um “laboratório de experimentação, que pode acontecer a qualquer nível, não só para repensarmos a nossa relação com os resíduos mas também dar ferramentas às pessoas para o fazerem”, explica Ana Salcedo, co-fundadora do projeto - numa visita virtual ao Lab Lixo Zero, instalado na Escola Maria Barroso, na Baixa Lisboeta. 

Por lá, o objetivo é mostrar como é que funciona o processo de reciclagem, tirando o fator abstrato à palavra, através de um conjunto de quatro máquinas que transformam o plástico em filamentos que, por sua vez, são utilizados para criar novos objetos em impressoras 3D. “Como as máquinas são completamente transparentes, conseguimos ver todos os processos e isso é super poderoso porque os miúdos nunca viram coisas a serem transformadas noutras desta forma”, refere Ana Salcedo. 

Zero Waste Lab
créditos: Diogo Grilo

Este laboratório incorpora exatamente o que a Zero Waste Lab representa: um compromisso em criar uma Europa sem desperdícios através de diferentes tipos de ações. A co-fundadora do projeto frisou ainda que a experimentação “é muito importante porque muitas vezes só sensibilização fica aquém”.

Neste sentido, o desafio lançado ao público tem a ver com colocar a mão na massa. A premissa é simples: reunir brinquedos que estejam estragados ou que não sirvam para doar e de seguida desmontá-los. Mas… para quê? Até à data, ainda não há maneira de os brinquedos serem reciclados em Portugal e por isso a ZWL irá fazer uma recolha dos mesmos a nível nacional. Os brinquedos que puderem ser arranjados, serão; os restantes serão reciclados por tipo de material, recorrendo inclusive às cinco máquinas transformadoras da Precious Plastic (comunidade que se dedica à procura de uma solução para a poluição provocada pelo plástico e que dispõe de máquinas transformadoras em Lisboa, Porto, Figueira de Castelo Rodrigo, Évora e Cascais). Quanto aos plásticos que não forem transformados, a empresa de reciclagem Extruplás irá utilizá-los para criar equipamento e mobiliário de exterior. 

“Quando falamos de ambiente não há fronteiras”, salienta Ana Salcedo, explicando que o passar a palavra é essencial para o sucesso da campanha e que o projeto Ding Dong foi “uma amplificação fortíssima da nossa mensagem”. 

516 Arouca
créditos: Município de Arouca

516 Arouca: a maior ponte pedonal do mundo fica em Aveiro

Avançamos mais de 300 quilómetros para norte de Lisboa e quase que entramos num país diferente, mais envolvido pela natureza e pela aventura. É lá que Anna Masiello irá visitar a 516 Arouca,a maior ponte pedonal do mundo, com 516 metros de comprimento, suspensa sobre o Rio Paiva. Faz parte do Arouca Geopark e é a mais recente atração de aventura deste parque que já é conhecido pela prática de desportos radicais. 

Esta ponte está integrada no contexto do projeto dos Passadiços do Paiva, um passadiço de madeira com cerca de 8,7 quilómetros, também sobre o Rio Paiva, e que recentemente ganhou o prémio de turismo europeu World Travel Awards como melhor atração turística de aventura. “Temos tentado valorizar os nossos recursos  – a nossa riqueza geológica e cultural – e realçá-la e valorizá-la com infraestruturas e equipamentos que fazem toda a diferença na visitação”, explica a presidente da Câmara Municipal de Arouca, Margarida Belém. Diz ainda que “o 516 Arouca surge então neste âmbito de posicionamento como um território que aposta numa cultura verde, de sustentabilidade, que nos vai permitir reforçar uma oferta de qualidade e diferenciadora”.

A ponte roubou o título de de maior ponte pedonal suspensa à Ponte Charles Kuonen, na Suíça, que se estende por 500 metros e foi inaugurada em 2017. Essa ponte permite ver várias paisagens, como a montanha Matterhorn, a montanha Weisshorn e os Alpes Berneses.

Passadiços do Paiva
créditos: Tiago Martins

Apesar de já estar terminada, a data de abertura ao público do 516 Arouca está, por enquanto, suspensa, devido à pandemia da Covid-19. Ainda não há uma data prevista, mas a presidente garante que abrirá assim que as condições estiverem reunidas para que tal aconteça. 

“Somos um povo que gosta de receber as pessoas bem”, diz Margarida Belém, em forma de convite a todos que queiram ter uma “experiência única”. Além da ponte pedonal suspensa, o território da Arouca é bastante rico no que toca a património cultural e ambiental e, cada vez mais, oferece um “pack de experiências” desde as paisagens verdes à gastronomia. Afinal, como explica a presidente, “a experiência da ponte não é só a ponte. É todo o meio envolvente, visto que está numa localização que permite a valorização do património rico que tem à sua volta”.

Já com novos projetos planeados para dar seguimento à estratégia de valorização territorial, a presidente da câmara municipal de Arouca explica que o projeto da 516 Arouca “só foi possível porque foi financiado”. “É um bom exemplo da aplicação dos incentivos da UE em projetos sustentáveis, que geram receita e são uma mais-valia”, refere Margarida Belém, finalizando com um reforço do convite aos que têm “o coração forte e jovem”.

Geopark
créditos: João Gonçalves | CCDR-N

Reserva Gerês-Xurés: divididos pelas fronteiras, mas unidos pela natureza e pela cultura

E de Arouca passamos para a fronteira entre Portugal e Espanha, onde os dois países trabalham juntos para preservar património natural e cultural da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés. Esta área, que será visitada por Afonso Cabral Lopes, é conhecida pela sua vasta zona montanhosa, com os pontos mais altos na Nevosa (1.545 m) e Fonte Fria (1.458 m), mas também pela rede hidrográfica densa e pela fauna e flora de excecional interesse para a conservação da natureza e a biodiversidade.

Com uma área de mais de 260 mil hectares de território protegido em dois espaços naturais divididos pelas fronteiras, a reserva é um exemplo perfeito de que para a proteção e conservação da natureza não existem limites. É uma realidade única que exige colaboração permanente e não há espaço para falta de comunicação. Por isso, a gestão é estipulada entre os dois parques que constituem a reserva desde 2009 – o Parque Nacional Peneda-Gerês e o Parque Natural Baixa Limia –, sendo que a cada dois anos há uma alternância de presidência entre responsáveis de cada país. 

Geopark
créditos: Elisabeth Oliveira | CCDR-N

Apesar de cada país poder desenvolver atividades individuais, a maior parte é feita em conjunto, como é o caso do projeto "Vidas e Lugares com História", uma recolha de memórias do que é o Parque Nacional, com entrevistas às pessoas mais velhas de todos os 11 concelhos abrangidos pela área (cinco portugueses e seis espanhóis) que farão parte de dois livros. “A ideia é tentar deixar para memória futura este registo, porque a população tem vindo a diminuir tanto de um lado como do outro da fronteira. Esperemos que daqui a uns anos continuemos a realizar algumas das atividades que estas pessoas desenvolvem, contribuindo para a preservação do Parque”, quem o diz é Sónia Almeida, a administradora delegada da Adere-Peneda Gerês – Associação de Desenvolvimento das Regiões Parque Nacional Peneda Gerês. 

Além da proteção contra a degradação ambiental, a reserva também ajuda a apoiar uma economia local que reforça a preservação dos geossítios, nomeadamente através do turismo. “Tudo aquilo que é identidade do território e que é capaz de contar a vida dele, mesmo não sendo utilizado hoje em dia para os fins para os quais foi construído, como é o caso dos moinhos, nunca se pensou em deixar desmoronar”, explica Sónia Almeida, acrescentando que o objetivo é não só atrair visitantes, mas também preservar o património e as memórias das pessoas. 

Geopark
créditos: José Jaime Dopereiro | CCDR-N

“A conservação da natureza e a conservação do património cultural e humano estão sempre a trabalhar em conjunto” e é um trabalho que “nunca pode parar”, acrescenta. Mesmo antes de um projeto terminar o levantamento de necessidades já está a ser feito para que se consiga prever e delinear algumas atividades que ficaram por fazer. Para tal, reforça que os fundos comunitários são essenciais. “Não considero que esteja a ser gasto dinheiro, é um investimento no território. Ao longo dos anos isto tem muita importância. É o que mantém estes territórios ainda vivos”. 

Sobre a iniciativa Ding Dong, a administradora delegada diz que “é um projeto que pode alertar para a necessidade de se voltar um bocadinho atrás e de se viver mais ao ritmo do que a natureza nos impõe, não acelerando processos”. 

“Aqui no interior do país a própria vivência das pessoas é à base de práticas que por si são bastante sustentáveis. Se a terra produz, ela produz aquilo que o tempo permite que produza e não se consegue mudar isso”, conclui Sónia Almeida.

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