“Os médicos de família especialistas desde abril ainda não foram contratados quando há uma lei que obriga que sejam contratados num mês”, disse hoje à agência Lusa o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha, adiantando que quando forem contratados ”é para colmatar os médicos que, entretanto, se vão reformar”.

Para o dirigente sindical, é fundamental que estes médicos comecem a trabalhar, porque há quase milhão de utentes sem médico de família, uma situação agravada com o facto de os médicos estarem a ser chamados para acompanhar os lares e os doentes com covid-19.

Segundo dados do Portal da Transparência do Serviço Nacional de Saúde (SNS), em agosto havia 978.396 utentes sem médico de família.

Os agrupamentos de centros de Saúde (ACES) da Amadora e de Sintra são os que apresentam os maiores números de utentes sem médico de família, com 49.794 (29,26%) e 96.026 26,83%, respetivamente.

No ACES Algarve Barlavento, há 44.068 utentes (25,41%), e na região de Lisboa e Vale, nos ACES do Arco Ribeirinho estão nesta situação 51.631 utentes (23,57%), da Arrábida 50.594 (21,89%), do Estuário do Tejo 42.902 (19,52%) e de Cascais 30.452 (14,55%).

“De uma forma perfeitamente inqualificável, os ministérios da Segurança Social e da Saúde remetem para os médicos de família a solução dos problemas dos lares quando, do nosso ponto de vista, essa responsabilidade deve ser assacada aos responsáveis dos lares com o apoio de Segurança Social”, defendeu Roque da Cunha.

Para o sindicalista, o Governo ao “desresponsabilizar as entidades que gerem os lares” de terem médicos e enfermeiros, com o apoio da Segurança Social, está “a criar condições para aumentar a conflitualidade entre os utentes e os médicos de família”.

“Em primeiro lugar, porque retira meios ao Serviço Nacional de Saúde e tempo para que os utentes desses médicos sejam acompanhados”, havendo consultas que vão ter de ser canceladas.

Para Roque da Cunha, “é exigível, é obrigatório, eticamente e politicamente”, que o Governo resolva o problema.

“Com o aproximar da gripe, nós não queremos que os portugueses que têm os seus pais e familiares nos lares e as próprias pessoas que estão nos lares tenham a falsa sensação de segurança e, por isso, é exigível que exista um médico e um enfermeiro nesses lares”, reiterou.

A Ordem dos Médicos também manifestou hoje preocupação com o facto dos novos médicos de família ainda não estarem a trabalhar, tendo “sobretudo em consideração a grande carência de médicos de família que existe no Serviço Nacional de Saúde e o facto de muitos destes médicos continuarem a ser desviados para o acompanhamento da pandemia, sem possibilidade de se assegurar resposta aos outros doentes”.

“Já passou cerca de um mês desde a data limite para os novos médicos de família se candidatarem aos lugares. Tiveram apenas cinco dias para apresentarem as suas candidaturas, precisamente pela urgência. No entanto, incompreensivelmente, o concurso fechou e continuam por colocar”, lamenta o bastonário da OM em comunicado.

Para Miguel Guimarães, “é urgente” que, com a aproximação do inverno e de uma segunda vaga, “o Ministério da Saúde redesenhe a sua estratégia” para deixar de haver “tantas barreiras no acesso aos centros de saúde”.

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