“Este não é tempo para autocontemplações, só porque escapámos de cataclismos anunciados. Porque importa compreender que um número apreciável de europeus adotou uma postura bem mais radical e numericamente conclusiva, porventura assinalando que esperam de todos nós melhor ainda do que tem sido a Europa para o seu quotidiano”, afirmou, comentando os resultados das eleições europeias de 26 de maio.

Para o chefe de Estado, é “revelador” que os portugueses tenham sufragado de forma “contundente” a escolha europeia, “sobretudo num tempo em que tantos, de fora da Europa, tudo têm feito para a dividir e enfraquecer”, porque “ela própria, vezes demais, se encarregou de facilitar tais propósitos, desunindo-se no acessório, alimentando razões de queixa no crucial, pelo atraso e displicência, pela quase sobranceria no lidar com os europeus”.

Segundo o Presidente da República, continuar a acreditar na Europa “é prova de sensatez e de realismo”, e o reconhecimento de que “é preferível melhorar o que existe e exigir mais, muito mais, a tudo deitar a perder na vida de todos os dias”.

“Esta é a primeira lição do sucedido há menos de uma semana. Mas as lições a retirar vão mais fundo”, sublinhou.

Olhando para a nova composição do Parlamento Europeu, “ela demonstra que a temida convulsão radical não ocorreu, mas também que há desejos de mudança e indicadores de alerta” para outra proximidade das pessoas e outra atenção a novas necessidades, anseios e pretensões, acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa.

“Em suma, serena confiança pela existência confirmada de uma maioria clara e inequívoca que em Portugal acredita na Europa, mas do mesmo modo despertar para desafios, desilusões, indignações, prioridades a retomar que deverão ser, desde logo, assumidas pelos que mais se dizem europeístas, antes que outros preencham o vazio, entretanto, displicentemente criado”, declarou.

Marcelo Rebelo de Sousa falava num jantar no Palácio da Bolsa com cerca de 300 personalidades, ligadas ao setor empresarial, autárquico, académico e económico, membros da Associação Comercial do Porto, entidade a quem atribuiu o título de membro honorário da Ordem do Infante D. Henrique.

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