Foi tema recorrente ao longo das últimas semanas: devemos ou não usar todos máscara?

Desde o início do surto que do oriente chegavam imagens de multidões de máscara no rosto — algumas até excedendo na criatividade e engenho. É uma questão cultural, diziam-nos. Por cá, o uso era apenas recomendado para profissionais de saúde, para pessoas com suspeitas de infeção ou com infeção confirmada e para quem lhes prestasse assistência.

Mas isso não impediu as pessoas de correrem às farmácias e lojas e o que antes se vendia a poucos euros passou, em algumas ocasiões, a custar dez ou mais. Como aqui, aqui e aqui.

Seguiram-se alertas de que o uso de máscara podia ser acompanhado de uma falsa sensação de segurança e que não saber manusear o equipamento podia potenciar a infeção em vez de a evitar.

Depois, as suspeitas: será que não nos dizem para usar máscaras porque simplesmente não existem suficientes no mercado. Em entrevista à SIC, António Costa descartou essa hipótese, lembrando que as autoridades de saúde têm uma responsabilidade que não se coadunaria com um comportamento desse tipo.

Mas conferência de imprensa após conferência de imprensa o tema foi sendo abordado, com a Direção-Geral de Saúde a reiterar que as recomendações nacionais estavam em linha com as adotadas pela Organização Mundial de Saúde e pelas autoridades europeias.

O primeiro alargamento admitido, a 3 de abril, foi a profissionais "fora das instituições de saúde" que lidassem com doentes ou suspeitos e aos que prestam "serviços essenciais" à população, como os bombeiros.

E percebia-se que a maré estava a mudar: a 6 de abril o pneumologista Filipe Froes defendeu o uso generalizado de máscara protetora em locais onde é difícil manter o distanciamento social; no mesmo dia Marcelo disse que no seu caso usar esta proteção em certas situações era uma questão de "bom senso"; dois dias depois a Ordem dos Médicos disse-se favorável à utilização de máscaras de proteção pela população, e o Sindicato Independente de Médicos seguiu-lhe o passo.

Até que no dia 8 de abril o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças admitiu o uso generalizado de máscaras pela população em locais fechados e com muita gente, mas apenas como complementar à etiqueta respiratória e distância de segurança para reduzir a transmissão do novo coronavírus.

E é na sequência desta nova recomendação que hoje a Direção Geral de Saúde admite o uso de máscaras por todas as pessoas que permaneçam em espaços interiores fechados com várias pessoas, como medida de proteção adicional ao distanciamento social, à higiene das mãos e à etiqueta respiratória.

Na nova diretriz pode ler-se que "estudos recentes mostram que as máscaras cirúrgicas podem reduzir a deteção de RNA de coronavírus em aerossóis, com uma tendência para redução em gotículas respiratórias, sugerindo que as máscaras cirúrgicas podem prevenir a transmissão de coronavírus para o ambiente, a partir de pessoas sintomáticas, assintomáticas ou pré-sintomáticas”.

Ou seja, máscaras para que vos quero? Para proteger-me a mim e aos outros.

Mas fica um alerta: "tal como a OMS e o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC, na sigla em inglês) têm vindo a alertar, a necessidade do uso da máscara pela população não pode diminuir a sustentabilidade de acesso a máscaras pelos doentes e profissionais de saúde".

Apesar de não existir "evidência científica direta que permita emitir uma recomendação a favor ou contra a utilização de máscaras não cirúrgicas (comunitárias) pela população, estas podem ser consideradas para uso comunitário nas situações aqui identificadas, mantendo a priorização adequada da utilização de máscaras cirúrgicas”.

Assim sendo — na falta de alternativas — aqui segue um vídeo sobre como criar uma máscara caseira (e como a colocar e tirar em segurança). Basta um lenço e dois elásticos.

Segundo o boletim epidemiológico hoje publicado, Portugal regista 535 óbitos (mais 31 do que no domingo) por covid-19 e um total de casos confirmados que ascende a 16.934 (mais 349). Mantém-se o número de casos recuperados: 277.

Ainda a marcar o dia de hoje esteve a libertação de mais de cem reclusos, ao abrigo das normas excecionais e de perdão de penas devido à pandemia de covid-19, e a carta enviada a Marcelo e a Costa de apelo ao regresso controlado do funcionamento da economia por profissionais de saúde, empresários e gestores — quando já se sabe que o Presidente vai propor o prolongamento do Estado de Emergência até 1 de maio.

Aqui ao lado, na vizinha Espanha, o regresso ao trabalho em setores não fundamentais já se vai fazendo, de forma tímida, numa altura em que o balanço de mortes diárias continua a descer. Apesar da mensagem de esperança, o primeiro-ministro Pedro Sánchez já avisou que o país ainda está longe da vitória contra o novo coronavírus e que as medidas de confinamento se devem prolongar para lá do dia 25 de abril.

Ainda na senda de boas notícias, e apesar do difícil contexto, é de registar que hoje, na Alemanha, o número pessoas curadas nas últimas 24 horas supera o registo de novas infeções no país. Já em Terras de Sua Majestade, Boris Johnson testou negativo para infeção por covid-19, o que significa que o susto poderá não ter passado disso mesmo. Todavia, também no Reino Unido se espera uma decisão sobre o eventual prolongamento do regime de confinamento.

Ninguém quer dar um passo maior do que perna, isto é, arriscar que o regresso à normalidade seja um novo mergulho nos dias mais negros desta pandemia.

O meu nome é Inês F. Alves e hoje o dia foi assim.

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