2.130 toneladas de alimentos. Foi esta a totalidade da recolha do Banco Alimentar do passado fim de semana. E se, durante o ano, é importante garantir que todos têm comida à mesa, quando as luzes de Natal se acendem a necessidade torna-se ainda mais real — não porque a solidariedade tenha de ser maior apenas nestas épocas, mas porque há algo de muito humano em querer que todos sejam aconchegados.

Mas o dia de hoje não se faz só de contas alimentares, mas também de contas ao planeta. E a este Planeta A, a Terra, porque não há Planeta B. A cimeira das Nações Unidas sobre o clima (COP25) começou hoje em Madrid, com a presença de 50 líderes mundiais. Portugal não ficou de fora e está por lá António Costa, que já frisou que o tempo é “curto” e há o “dever imperioso de agir”.

Neste sentido, o nosso país está também de olhos postos na Doca de Santo Amaro, em Lisboa. Amanhã, terça-feira, 3 de dezembro, recebemos a ativista ambiental sueca Greta Thunberg. Para a jovem de 16 anos a viagem já vai longa — cruzou o Atlântico de barco e foi até Nova Iorque e, agora, embarcou num catamarã para fazer a viagem ao contrário e chegar a tempo a Madrid para a COP25, com esta paragem em Lisboa — e faz-nos olhar para tudo o que implica esta história sobre as alterações climáticas.

Recapitulando o que foi aqui escrito até agora: temos alimentos à mesa e o mundo a querer continuar a ter mundo. Por isso, atrevo-me aqui a fazer uma reflexão natalícia, pegando nestes dois exemplos: todos os temas que passam nas nossas notícias (olá, jornalismo!) encaixam no presépio. Sim, leu bem, mas eu repito o conceito em questão: presépio. Acha que não? Ora eu explico rapidamente, centrando-me hoje nestes dois temas — mas fica a promessa de retomar a reflexão algures nos próximos dias.

Lembra-se daquele momento da história, antes de acontecer o Natal (ou o “nascimento”, se quisermos antes o significado da palavra), em que Maria e José bateram a todas as portas das hospedarias e não tiveram lugar onde ficar? As mesas teriam certamente comida, em maior ou menor quantidade, mas ninguém ficaria impedido de restabelecer forças depois de uma viagem, também ela maior ou menor — mas necessária. O que mais é podermos contribuir para quem nada tem — seja através do Banco Alimentar ou de outras instituições — do que recriar esta situação?

E agora… viagens, por isso olhemos para a de Greta e para esta vontade em ver um mundo diferente (e salvá-lo) e comparemos, mais uma vez, com a Natividade. Era uma vez… três reis magos que vinham lá do Oriente e fizeram um longo caminho seguindo uma estrela, por saberem que no fim iam encontrar quem ia mudar a história da humanidade. A esperança de Greta (e de tantas outras vozes que se manifestam para que o mundo se salve) é esta mesma: a vontade brilha algures e o caminho faz-se — mesmo que agora de barco e outros meios — para chegar a um objetivo.

Para terminar esta reflexão, deixo três sugestões precisamente sobre… presépios. Perdoe-me o leitor, mas como já percebeu não podemos falar só desta época com mercadinhos e luzes de Lisboa ao Porto.

Um presépio nas nossas ruas: Seja porque me lembro de lá passar várias vezes em miúda, seja porque ainda hoje não perde a magia, a Vila Presépio (ou Alenquer), além da representação do nascimento de Jesus na sua encosta, com figuras que chegam a atingir os seis metros, tem também um parque temático que faz as delícias de miúdos e graúdos;

Presépios de longe mas agora perto: Como vem a ser hábito há já uns anos, os presépios de madeira de oliveira, da Terra Santa, chegam a Lisboa pelas mãos do palestiniano Nicolas Ghobar. E não é só para que os artesão mostrem as suas habilidades, mas porque fazê-lo é uma forma de ajudar as famílias cristãs a permanecer nas suas terras. Ghobar e os presépios estão na Rua Anchieta, junto à Basílica dos Mártires, em Lisboa, até ao Natal;

O presépio que somos nós: Temos todas estas representações do nascimento de Cristo graças a S. Francisco de Assis, que um dia chamou João, um homem de Gréccio, para preparar o cenário em que Jesus tinha nascido, de forma a que as pessoas tivessem uma outra percepção do sucedido. Mas sem figuras, para que cada pessoa que dali se aproximasse pudesse interpretá-lo à sua maneira. É desta tradição e de tantas outras que o Papa Francisco fala na sua carta apostólica Admirabile Signum, publicada ontem e que vale a pena ler.

Depois destas notícias e presépios — e preparando também os vários que tenho por casa —, eu sou a Alexandra Antunes e hoje o dia foi assim.

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