A chanceler alemã, que assume em 1 de julho a liderança da presidência alemã da União Europeia, afirmou no seu ‘podcast’ semanal que a prioridade é relançar a economia europeia, fortemente afetada pela quase paralisação dos setores económicos devido às restrições impostas para travar a propagação do novo coronavírus.

Contudo, frisou, todos os cidadãos têm a “responsabilidade conjunta” de seguir as regras de distanciamento social, uso de máscara e higiene, à medida que o desconfinamento é feito.

Na semana passada, a Alemanha reimpôs o confinamento em dois municípios da zona oeste do país, depois de um surto num matadouro ter levado a 1.300 novas infeções, num país onde a pandemia é geralmente considerada como sendo bem gerida.

Desde o início da pandemia de covid-19, a Alemanha registou quase 195.000 casos e 9.000 mortes, o que se traduz numa taxa de mortalidade mais baixa que a da generalidade dos países europeus.

“O risco colocado pelo vírus ainda é sério”, avisou Merkel.

“É fácil esquecê-lo, porque a Alemanha tem ultrapassado bem esta crise, mas isso não significa que estamos protegidos, que o risco esteja afastado. Não é assim, como demonstram estes surtos regionais”, acrescentou.

Já na sexta-feira, numa entrevista a seis jornais europeus publicada hoje, mas de que foram divulgados excertos na véspera, Merkel tinha defendido a importância, para a presidência rotativa da UE que se prepara para assumir, de “fazer algo extraordinário” para recuperar a economia europeia, frisando que está em causa a sobrevivência da União.

“A Alemanha tinha uma baixa taxa de endividamento e pode permitir-se, nesta situação extraordinária, assumir mais dívida”, afirmou na entrevista ao espanhol La Vanguardia, ao britânico The Guardian, ao francês Le Monde, ao alemão Süddeutsche Zeitung, ao italiano La Stampa e ao polaco Polityka.

Para a chanceler, fazê-lo “é naturalmente” do interesse da Alemanha, que beneficia de “um mercado interno forte” e de “uma União Europeia que se aproxima e não se desintegra”.

“Como sempre, o que é bom para a Europa é bom para nós”, disse.

Quanto ao acordo sobre a relação futura entre a UE e o Reino Unido, que definiu como segunda grande prioridade da presidência alemã, a chanceler afirmou na entrevista que Londres deverá “assumir as consequências” de uma relação económica menos próxima com a Europa.

Depois do ‘Brexit’, formalizado a 31 de janeiro passado, o Reino Unido negoceia atualmente com a UE a relação comercial a partir de 31 de dezembro, data em que termina o período de transição, durante o qual vigoram as regras anteriores à saída.

As quatro rondas de negociações já realizadas entre Bruxelas e Londres não permitiram progressos significativos, persistindo divergências em relação ao acesso equilibrado a ambos os mercados, à governação da futura parceria, à proteção dos direitos fundamentais e ao setor das pescas.

“Devemos pôr de parte a ideia de que somos nós que definimos o que o Reino Unido deve querer. O Reino Unido define e nós, os 27, damos a resposta adequada”, disse Merkel.

“Se o Reino Unido não quer regulamentações comparáveis às da UE em matéria de ambiente, de mercado de trabalho ou de direitos sociais, as nossas relações vão perder intensidade”, acrescentou a chanceler.

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