“A distribuição das publicações é feita pela única distribuidora em Portugal – a Vasp -, e, se esta não tiver possibilidade de distribuir jornais e revistas, não há informação e a informação é um bem constitucional”, afirmou, em declarações à Lusa, o vice-presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, Vítor Brás.

O responsável lembrou que, há uns anos atrás, durante uma paralisação dos motoristas de mercadorias, a associação já teve que fazer um pedido semelhante ao Governo e, na altura, teve sucesso.

“Os camiões foram autorizados a seguir, uns acompanhados pela polícia e outros não”, recordou.

Porém, agora o problema é reforçado, uma vez que, “se não houver combustíveis não há distribuição, mas se não houver carros de pesados para fazerem [o trajeto] entre as gráficas e a distribuidora, também não temos [informação] impressa em Portugal”, apontou.

Por outro lado, a associação inclui no seu pedido os jornais regionais que, em muitos casos, asseguram a própria distribuição.

“Também para esses deveria haver uma proteção, pois os próprios carros têm dístico ‘press’ [imprensa] e os funcionários não jornalistas têm um cartão da associação”, enquanto os jornalistas têm uma carteira profissional, sublinhou.

Neste sentido, a Associação Portuguesa de Imprensa remeteu um pedido ao Governo para a inclusão do setor na greve, mas, até ao momento, não recebeu qualquer resposta.

Caso a situação se mantenha, a associação vai reforçar o pedido já na próxima segunda-feira.

“É um grande problema se Portugal deixar de ter jornais. Claro [que as empresas] também vão ter prejuízo, mas [pior] é as pessoas não terem informação”, concluiu Vítor Brás.

De acordo com os dados disponibilizados pela associação, em Portugal, imprimem-se cerca de 450 milhões de jornais por ano.

A Associação Portuguesa de Imprensa tem cerca de 180 sócios e representa 400 publicações.

A greve convocada pelo Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), que começa no dia 12, por tempo indeterminado, ameaça o abastecimento de combustíveis e de outras mercadorias.

O Governo terá que fixar os serviços mínimos para a greve, depois de as propostas dos sindicatos e da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) terem divergido entre os 25% e os 70%, bem como sobre se incluem trabalho suplementar e operações de cargas e descargas.

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