Servindo-me daquele jeito polido e pautando-se por eufemismos, muito ao estilo britânico, vou escrever uma frase que poderá, ou não chocar os leitores:

“Desde que foi desencadeado em 2016, o Brexit tem sido um processo ligeiramente complicado”.

“Ha, ha, ha”, ri-se refinadamente o leitor, “sim, deveras!”

Toda esta pobre caricatura da fleuma inglesa serve para introduzir aquele que foi mais um volte-face no turbilhão que tem sido o processo de saída do Reino Unido da União Europeia.

Hoje, Boris Johnson pôde somar à sua já longa lista de revezes, já que o Supremo Tribunal do país declarou ilegal o seu pedido de suspensão do parlamento, sendo que este retomará as suas funções já amanhã às 11:30.

Lido como uma medida de tentar contornar a ação legislativa para tentar levar a uma saída já no dia 31 de outubro, Johnson ainda pode pedir nova suspensão, mas o mais provável é ter de lidar com a lei aprovada nas duas Câmaras do parlamento, que exige que o governo peça formalmente uma extensão se não for alcançado um acordo até 19 de outubro.

A verdade é que também para Johnson, a sua vida enquanto primeiro-ministro tem sido “ligeiramente complicada” desde tomou posse, e com o seu partido balcanizado e a oposição cada vez mais acicatada, não há grandes perspetivas de melhoria.

E já que se fala de ligeirezas, pode-se dizer também que o debate de ontem entre os seis candidatos dos partidos com assento parlamentar foi “ligeiramente duro”, particularmente na troca de acusações entre António Costa e Catarina Martins, assim como nos diálogos entre o primeiro-ministro e Assunção Cristas. O debate, acompanhado por este que vos escreve, deixou marcas que ainda foram visíveis ao longo deste dia.

Se por um lado o líder do PS optou por não alimentar mais a polémica, a coordenadora do BE voltou a desenterrar problemas que grassam desde o início da formação da Geringonça e Jerónimo acusou ambos de andarem a perder tempo com quezílias. À direita, a presidente do CDS-PP não esqueceu as acusações de que foi alvo e Rui Rio recuperou a amena picardia que tem mantido com António Costa, desafiando Mário Centeno a debater com o seu homem forte para a economia, Joaquim Sarmento.

Não mais voltará a haver um debate capaz de inflamar ânimos entre estes candidatos como o de ontem até dia 6 de outubro, mas isso não quer dizer que não tenhamos saído do turbilhão. Até serem contados todos os votos, cá estamos.

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