As notícias parecem ser repetidas nos últimos dias: os abalos nos Açores têm reduzido. Contudo, pode não ser assim tão simples: há a possibilidade de estarem a ser subavaliados devido ao vento e agitação marítima provocados pela Depressão Evelyn.

Feitas as contas, o Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA) registou, nas últimas 24 horas, dois sismos sentidos pela população na ilha de São Jorge, onde se regista desde 19 de março uma crise sismovulcânica.

Desde o início, são já registados 28.152 sismos, dos quais 240 sentidos pela população da ilha que se mantém em nível de alerta V4 (ameaça de erupção).

Segundo Fátima Viveiros, coordenadora das operações do CIVISA, a diminuição significativa de sismos pode "estar a ser mascarada", pelo menos em algum número de eventos que "não esteja a ser visualizado" devido às condições meteorológicas.

Assim, face ao vento e à vibração que a vegetação induz no solo, bem como à agitação marítima, parte da monitorização feita pelos sismómetros é comprometida, ou seja, os sinais de baixa energia ou de baixa magnitude acabam por não ser visíveis.

"Podem ocorrer abalos de uma magnitude muito baixa que acabam por não ser detetados pelos operadores. Quando as condições meteorológicas assim o permitem, mesmo os sismos de uma magnitude muito inferior conseguem ser detetados pelos nossos operadores", explicou.

Com a melhoria das condições meteorológicas, é esperado que "o sinal seja mais limpo" para "detetar todos os eventos" e ter "o cálculo mais real possível", acrescentou.

Fátima Viveiros disse que é preciso encarar esta crise sismovulcânica em São Jorge com cautelas, justificando que ter um reduzido número de eventos não significa que tudo tenha terminado — já que muitas vezes estes sistemas podem reativar.

"Nós, para compreender o melhor possível este sistema, que durante 30 anos esteve no silêncio, mesmo que agora a certa altura o nível de alerta diminua, vamos continuar a monitorizar e a acompanhar todas as variações que vão acontecer nos próximos meses. Tudo se vai manter", disse.

Nesse sentido, a Proteção Civil dos Açores avisou que vai manter "o seu estado de alerta, vigilância e prontidão" mesmo que se verifique uma redução acentuada no número e intensidade dos eventos sísmicos em São Jorge.

"O dispositivo que nós montámos é aquele que nós vamos manter", afirmou o presidente do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA), Eduardo Faria.

"O meu conselho é que as pessoas se mantenham vigilantes e atentas até o conhecimento científico nos dar indicações em sentido contrário", sustentou ainda.

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