"Sempre controlámos as amizades dele, e a gente fazia o que podia para que não confiasse em gente errada. Mas tinha Internet, e dali chega tudo", disse Valeria Collina à revista italiana L'Espresso.

"Nem em Itália, nem em Marrocos, onde estudava informática na Universidade de Fez, ele tinha-se deixado influenciar por alguém", contou a mãe, que se converteu ao Islão depois de ter vivido em Marrocos, antes de se mudar para Fagnano, perto de Bolonha, no norte de Itália.

Para Collina, foi durante a permanência de seu filho em Londres, no ano passado, que o jovem se radicalizou.

"Vivia num bairro de Londres que não me agradava. Não me transmitia serenidade. Saía com as pessoas erradas", reclamou.

Valeria Collina disse que "entende e compartilha" a decisão dos imãs de todo o Reino Unido em rejeitar acompanhar o enterro dos três autores do atentado que fez sete mortos e dezenas de feridos.

"Para ele a Síria era uma fantasia. Infelizmente, não consegui que mudasse de ideias"

"É preciso dar um sinal político forte. Inclusive para os familiares das vítimas e para os não muçulmanos", afirmou Collina.

"Apenas uma mãe pode sentir a dor de outra mãe. Sei que nada será suficiente. Mas estou disposta a lutar pela paz. Sei que pedir perdão não quer dizer nada, por isso, eu me comprometo a dedicar toda minha vida para que tal não volte a acontecer", prometeu.

Questionada sobre como levará essa luta adiante, Collina explicou que será "a ensinar o verdadeiro Islão" e "combatendo com todas as forças a ideologia do Estado Islâmico".

"Ele tinha-me mostrado vídeos sobre a Síria. Falou-me em ir para lá combater. Para ele, a Síria era um lugar, onde se podia viver o Islão puro. Ele falava nisso como se fosse uma fantasia que tinha visto na Internet. Eu dizia-lhe que não lhe mostravam as coisas horríveis. Infelizmente, não consegui que mudasse de ideias", desabafou.

A mãe de Zaghba relatou ainda a última conversa com o filho, na quinta-feira, dia 1 de junho, dois dias antes do atentado. Agora, ao recordar a conversa, esta soa-lhe a uma espécie de adeus.

Collina confirmou que no último ano, o seu filho estava a ser "controlado" por agentes dos serviços secretos italianos, após ter sido detido em março de 2016 em Bolonha, no norte da Itália. Tal terá acontecido quando, por exemplo, ele pretendeu voar para a Turquia e, na sequência, ir para a Síria.

Segundo os serviços de Inteligência da Itália, a presença e os frequentes deslocamentos do jovem foram comunicados às autoridades britânicas.

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