Deparando-se alegadamente com a existência de vacinas contra a covid-19 excedentárias no Centro de Vacinação do Cerco, no Porto, a diretora do Agrupamento de Centros de Saúde Porto Oriental (ACES Porto Oriental), Dulce Pinto, pediu a colaboração da junta de freguesia de Campanhã para divulgar uma ação de vacinação "porta aberta": ou seja, quem passasse pelo centro no futuro Parque de Saúde do Cerco, na rua Dr. José Marques, teve direito a vacinas, mesmo os jovens.

Para o coordenador do grupo de trabalho da vacinação, o vice-almirante Gouveia e Melo, trata-se de "uma desobediência clara ao plano de vacinação". Numa visita ao Porto Santo, na Madeira, Gouveia e Melo diz mesmo que "para todos os efeitos, é um ato de indisciplina" e afirma já ter pedido à Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-N) que sejam apuradas a devidas consequências.

"Alguém com responsabilidade resolve, fora do plano, inovar e vacinar pessoas que não estão neste momento elegíveis para vacinação", explicou, depois de dizer que é a primeira vez que um caso do género acontece.

"Não posso demitir as pessoas, pedi foi à estrutura para tirar as consequências rapidamente e as consequências que têm de ser tiradas", acrescentou o vice-almirante. "Não pode haver indisciplina no plano".

Entretanto, o caso já foi participado às autoridades: "mal tivemos o mínimo de dados, fizemos uma participação ao nosso contacto na Polícia Judiciária e uma participação à inspeção-geral da área da saúde para fazer uma investigação", acrescentou.

Gouveia e Melo pediu também ao responsável máximo da ARS-N “para que imediatamente tomasse providências para isto não voltar a acontecer e para se tirarem todas as consequências. Para todos os efeitos, é um ato de indisciplina”.

Num plano “desta complexidade e com esta urgência e, sendo massivo, tem de haver disciplina”, acrescentou.

Um número indeterminado de pessoas sem os requisitos exigíveis nesta ocasião terá recebido vacinas na zona do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Porto Oriental, num caso que chegou ao conhecimento da ‘task force’ na quinta-feira.

Na página da junta de freguesia de Campanhã, foi anunciada uma ação de "vacinação aberta", entre as 17 e as 19:30 de quarta e quinta-feira, respetivamente véspera e dia de São João. A junta anunciava a iniciativa "porta aberta" no Centro de Vacinação do cerco precisamente como uma maneira de celebrar o São João.

Imagem do site da junta de freguesia de Campanhã.

Ernesto Santos, presidente da junta de freguesia de Campanhã, esclarece ao SAPO24 que a diretora do ACES Porto Oriental pediu apenas uma "colaboração na divulgação". À parte isso, "a junta não tem responsabilidade nenhuma", ainda que o autarca socialista olhe para a vacinação dos jovens com olhos positivos: afinal, "é hoje nas camadas mais jovens que as coisas começam a piorar".

A Administração Regional de Saúde do Norte confirma apenas que "foi instaurado um processo de inquérito com o objetivo de se apurar o que terá acontecido" no Porto. Ao SAPO24, fonte da estrutura explica que o processo "irá percorrer os seus trâmites pelo que vamos aguardar a sua conclusão."

O caso ganhou maior dimensão depois de a apresentadora de televisão Maria Cerqueira Gomes e a filha, de 18 anos, terem anunciado nas redes sociais que também elas tinham sido vacinadas contra a covid-19. A apresentadora explicou no Instagram que esteve "horas à espera da oportunidade".

Atualmente, o autoagendamento para a toma das vacinas contra a covid-19 está aberto apenas a maiores de 35 anos.

Já a iniciativa “Casa Aberta” permite aos utentes com idade igual ou superior a 55 anos serem vacinados, com a primeira dose e sem agendamento prévio. Para isso basta dirigirem-se ao Centro de Vacinação do local onde estão inscritos no centro de saúde, normalmente correspondendo ao da sua área/zona de residência.

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