Pedro Nuno Santos falava aos jornalistas na sede nacional do PS, em Lisboa, onde hoje formalizou a sua candidatura e entregou a respetiva moção.

"Nós temos várias prioridades, mas permitam-me dizer que muitas delas assentam num grande objetivo que é conseguirmos desenvolver a nossa economia. E nós temos uma estratégia de políticas públicas para o desenvolvimento económico, que passa pelo investimento na ciência e na investigação, na transferência desse conhecimento para as nossas empresas e no apoio às nossas empresas, para nós conseguirmos reduzir a incorporação de importações nas nossas exportações", afirmou.

O ex-ministro das Infraestruturas e da Habitação acrescentou que parte da sua moção "é dedicada exatamente a apontar esse caminho" para que as empresas portuguesas "consigam produzir mais e melhor" e Portugal tenha "uma economia mais forte, mais diversificada, mais sofisticada, que permita pagar melhores salários em Portugal".

Pedro Nuno Santos elegeu a melhoria dos salários como um dos seus "principais desígnios" e considerou que "isso implica um investimento muito grande" na economia portuguesa, "para que ela tenha capacidade de pagar melhores salários".

Ao contrário do seu adversário interno José Luís Carneiro, que se propõe equiparar em quatro anos o salário mínimo nacional com o de Espanha, Pedro Nuno Santos não define metas concretas nesta matéria: "Nós queremos fazer isso no quadro da capacidade da nossa economia de pagar esses mesmos salários. Não temos uma meta estabelecida, até porque entendemos que essas metas devem ser trabalhadas com as organizações que representam os trabalhadores e as empresas".

Interrogado se na sua moção também está um compromisso com um novo referendo sobre a regionalização, respondeu: "Não só existe, como é muito importante para nós. Não é por acaso que a nossa candidatura se chama Portugal inteiro. Nós não queremos um país que se esqueça ou deixe para trás várias das regiões do nosso país. E a regionalização é um dos instrumentos importantes para empoderar as nossas regiões e naquilo que elas fazem melhor poderem elas gerir os seus próprios destinos".

"É fundamental nós darmos cumprimento à Constituição, e é por isso que é para nós um compromisso claro a realização do referendo para a regionalização", completou.

Confrontado com a oposição que o atual presidente do PSD manifestou à realização de um referendo nesta legislatura, Pedro Nuno Santos respondeu: "Luís Montenegro está errado e não faz bem ao país quando rejeita a regionalização. Até porque Luís Montenegro tem obrigação, pela sua própria origem, de perceber a importância que seria para o país e para as diferentes regiões do país nós termos regionalização".

"É uma perspetiva centralista que o PSD sempre teve no país e que nós queremos combater ativamente, porque ela não favorece um desenvolvimento harmonioso do nosso território. A maioria dos países europeus estão regionalizados. Portugal continua com esta falha que prejudica o seu desenvolvimento mais harmonioso em todo o território", acrescentou.

Interrogado sobre o que propõe para o setor da justiça, Pedro Nuno Santos realçou que a sua moção global de estratégia não é ainda um programa eleitoral: "Esta é uma moção que identifica prioridades e aponta caminhos. A reforma da justiça é, obviamente, uma área onde também vai haver intervenção, mas as nossas prioridades estão no desenvolvimento económico e social do nosso país, sem esquecer, obviamente, a justiça".

Quanto à defesa da contagem integral do tempo de serviço dos professores, o ex-ministro disse que essa sua posição "já era conhecida" antes desta crise política. "Eu defendo que o Estado cumpra os compromissos que tem para com os seus trabalhadores – da mesma forma que o Estado impõe às empresas privadas que cumpram os contratos com os seus trabalhadores", justificou.

"Para além disso, é fundamental que nós consigamos valorizar e dignificar a profissão de quem se dedica a ensinar o outro. Isso é muito importante para o desenvolvimento do país e para nós conseguirmos, mais uma vez, recrutar e deter professores no sistema de ensino. E é por isso que é tão importante também desde logo reconhecer todo o tempo de trabalho dos professores", defendeu.

Pedro Nuno Santos assegurou que "este compromisso vai ser obviamente assumido, e o programa eleitoral também é espaço para assumir esses compromissos", dando a entender que não consta da moção global com que se candidata à liderança do PS.

São também candidatos às eleições diretas de 15 e 16 de dezembro para secretário-geral do PS José Luís Carneiro e Daniel Adrião.

(artigo atualizado às 13:03)

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