Não, não é a robô humanoide, da Hanson Robotics, que por estes dias regressa à Web Summit, a decorrer no Parque das Nações. Não falamos em inteligência artificial. Falamos de literatura, e de um dos nomes maiores do século XX. Esta quarta-feira cumpre-se o centenário do nascimento de Sophia de Mello Breyner Andresen.

Sophia nasceu a 6 de novembro de 1919, no Porto, e faleceu a 2 de julho de 2004, tendo sido a primeira mulher portuguesa a receber o galardão literário da língua portuguesa, o Prémio Camões, em 1999.

Sem sair de casa, poderá ver, já hoje, e na RTP1, “Sophia, na primeira pessoa”. O documentário, recentemente apresentado no DocLisboa 2019, é uma homenagem de Manuel Mozos à autora. Como? O filme é Sophia pelas suas próprias palavras: não há um narrador para além da própria, e o filme consiste numa montagem que intercala a sua voz a recitar poesia ou a dar entrevistas, com imagens de arquivo, de fotos suas e de família, da correspondência, das casas e lugares que frequentou, das paisagens e momentos mais significativos da sua vida.

Mas a voz de Sophia multiplica-se, esta quarta-feira, de norte a sul do país, em várias iniciativas. Deixo-lhe algumas.

Em Lagos, Sophia está na rua. Dois murais de arte urbana de grandes dimensões foram pintados em edifícios da cidade. As mega pinturas do rosto da poetisa foram executadas pelo artista de arte urbana João Samina, através da técnica stencil. Grândola comemora esta semana o centenário com espetáculos de poesia e música, cinema e teatro, a decorrer no Cineteatro Grandolense. Leiria O evento

O Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa, será palco do concerto comemorativo "Orfeo ed Euridice", de Christoph Wilibald Gluck. Já o Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra, receberá o espetáculo "DeclAMAR Poesia", dinamizado por um coletivo de cinco leitores de poesia (Catarina Matos, Lurdes Telmo, Olga Coval, Rui Amado e Vanda Ecm). A partir de um alinhamento inicial de poetas e poemas, segue-se um período de microfone aberto ao público para quem queira ler poemas próprios ou alheios. A Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, em Leiria, recebe o “O aniversário de “Sophia! Leve Sophia consigo!”, que assinala a data de nascimento da poetisa com a partilha de textos e poemas.

Amanhã, no SAPO24 poderá ainda ler, num texto assinado pela Alexandra Antunes, a relação da autora com Jorge de Sena.

Termino com uma sugestão musical: Ney Matogrosso no Coliseu de Lisboa. O músico brasileiro apresenta, aos 77 anos, o novo espetáculo "Bloco na Rua"; não cantará Sophia, mas não faltarão outros poetas. Falei com ele a propósito deste regresso; uma conversa que não deixou de fora o Prémio Camões, o "comando tosco" que dirige o Brasil, direitos adquiridos e as exigências dos povos indígenas "que têm de ser respeitadas".

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