Em comunicado divulgado hoje de manhã em Bruxelas, o Alto Representante da UE para a Política Externa salienta que o bloco comunitário “está profundamente preocupado com os danos causados aos gasodutos Nord Stream 1 e 2, que resultaram em fugas nas águas internacionais do Mar Báltico”.

“As preocupações de segurança e ambientais são da maior prioridade. Estes incidentes não são uma coincidência e afetam-nos a todos”, prossegue, assinalando então que “toda a informação disponível indica que essas fugas são o resultado de um ato deliberado”.

“Apoiaremos qualquer investigação que vise obter total clareza sobre o que aconteceu e porquê, e tomaremos novas medidas para aumentar a nossa resiliência em matéria de segurança energética”, diz o líder do corpo diplomático europeu.

A terminar, o Alto Representante adverte que “qualquer perturbação deliberada das infraestruturas energéticas europeias é totalmente inaceitável e merecerá uma resposta robusta e unida”.

Na terça-feira, também a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, já advertira que, caso as três fugas detetadas nos gasodutos submarinos Nord Stream no mar Báltico sejam uma “ação de sabotagem”, haverá “uma forte resposta”.

“Agora é primordial investigar os incidentes, obter total clareza sobre os eventos e porquê. Qualquer interrupção deliberada da infraestrutura energética europeia ativa é inaceitável e levará à resposta mais forte possível”, disse Von der Leyen.

A presidente da Comissão Europeia fez estas declarações depois de falar por telefone com a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, cujo Governo, como o da Suécia, indicou que as fugas identificadas nos gasodutos que ligam a Rússia à Alemanha são o resultado de “atos deliberados”.

“A avaliação clara das autoridades é que é um ato intencional e não um acidente”, observou Frederiksen, numa conferência de imprensa.

Também a primeira-ministra sueca, Magdalena Andersson, afirmou que “provavelmente” o que aconteceu foi devido a “sabotagem”.

Nenhuma das duas governantes quis especular sobre o possível motivo ou autor e ambas destacaram a gravidade do incidente, embora tenha ocorrido perto, mas fora do seu território, nem Von der Leyen apontou nenhum alegado autor.

A NATO, Rússia, Estados Unidos e Alemanha também evitaram especulações até obterem mais informações sobre o assunto.

Um instituto sísmico sueco anunciou que a Suécia detetou duas explosões submarinas, “muito provavelmente devido a detonações”, perto dos locais onde foram detetadas fugas nos gasodutos que transportam gás russo para a Europa.

As autoridades dinamarquesas e suecas detetaram fugas no gasoduto Nord Stream 1, que a Rússia encerrou no início de setembro, e no gasoduto Nord Stream 2, que nunca foi posto em funcionamento, devido à falta de autorização da Alemanha, na sequência da invasão russa da Ucrânia, a 24 de fevereiro.

Apesar de não estarem operacionais, os dois gasodutos operados por um consórcio da gigante russa Gazprom estavam cheios de gás.

A Ucrânia acusou na terça-feira a Rússia de responsabilidade pelas fugas nos gasodutos, denunciando um “ataque terrorista” contra a União Europeia.

“A fuga de gás em grande escala do Nord Stream 1 não é mais do que um ataque terrorista planeado pela Rússia e um ato de agressão contra a União Europeia”, disse o conselheiro presidencial ucraniano Mykhailo Podoliak no Twitter, citado pela agência de notícias francesa AFP.

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