Alain Finkielkraut tem 70 anos e é um escritor e filósofo francês, que integra a Academia Francesa, onde Marcelo Rebelo de Sousa discursou esta semana.

Na quarta-feira à noite, durante um debate televisivo chamado La Grand Confrontation (O Grande Confronto), Finkielkraut disse à audiência: "Violar, violar, violar. Eu digo aos homens que violem as suas mulheres, eu violo a minha todas as noites e ela já está farta". A frase, em tom de provocação, incendiou o debate.

O objetivo de Finkielkraut era denunciar a cultura do politicamente correto, tendo criticado em específico a banalização do conceito de violação.

O filósofo e escritor surpreendeu ao sair em defesa do cineasta Roman Polanski, acusado de violar uma rapariga de 13 anos. “Ela tinha um namorado, teve uma relação com Polanski e ele foi acusado de violação, mas reconciliou-se com ele”, disse Finkielkraut, citado pelo Expresso.

Para o escritor "sempre houve violações", mas no passado as acusações limitavam-se a casos de penetração forçada. O que hoje existe, diz, é "uma cultura da violação, que engloba desde piadas brejeiras, a assédio até ao galanteio”. Assim, diz, "França tem imensos violadores em potência".

Para Alain Finkielkraut o politicamente correto torna a conversação cívica impossível, chamando-lhe mesmo "um calvário do pensamento".

Caroline de Haas, ativista presente no debate, indignou-se com as afirmações e acusou o filósofo de estar a "banalizar a violência".

Ao dizer que uma menina de 13 anos não foi violada pelo realizador, "está a enviar-se uma mensagem a todas as raparigas de que isso não importa", disse Caroline de Haas.

A ativista condenou a provocação do escritor, considerando que ao dizer aos homens para violar, Finkielkraut está a ofender as mulheres que já foram violadas e as que são vítimas de violação no âmbito conjugal.

Em média são violadas 250 mulheres em França todos os dias, acrescentou Caroline de Haas.

As declarações de Alain Finkielkraut  geraram polémica das redes sociais e há quem defenda que o caso deve ser avaliado pelo Conselho Superior do Audiovisual (CSA) francês.

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