A 79ª Volta a Portugal em Bicicleta está na estrada até ao próximo dia 15 de agosto. Um olhar, que nem necessita de ser assim tão atento, vislumbram-se camisolas que atiram a memória visual para outro campo desportivo.

Na estrada, no troço de corrida, e a acompanhar ao longo dos mais de 1600 quilómetros há camisolas azuis e brancas, verde e brancas e um axadrezado preto e branco. Decifrando, Porto, Sporting e Boavista, três clubes mais ou menos ecléticos cuja popularidade maior é atingida no jogo do povo, o futebol, mas que o maior evento de desporto popular em Portugal ajuda, e muito, a divulgar a marca.

Numa altura em que arrancam as provas nacionais de futebol, outros artistas levam em cima das bicicletas as cores dos clubes pelo país: A Rádio Popular-Boavista, a W52-FC Porto-Mestre da Cor, Sporting-Tavira, o Louletano-Hospital de Loulé-Fibralgarve - que é de outro campeonato futebolisticamente falando, ao invés, o mediatismo advém mais das duas rodas do que propriamente no jogo do onze para onze.

Em Portugal, futebol e ciclismo têm em comum o cariz popular. E um está na génese de outro. Pelo menos na expansão clubística dos “Grandes de Lisboa” durante a década de 30 do século passado, como é sabido, em que os duelos Alfredo Trindade (Sporting) e José Maria Nicolau (Benfica) transportam o "derby" Sporting-Benfica para as poeirentas estradas portuguesas. Hoje, essa “luta” é disputada por Porto e Sporting, ajudando a despertar o interesse popular de uma prova que têm raízes populares.

Hotéis, oficinas e ginásios sobre rodas percorrem o país

À partida do Prólogo, em Lisboa, foi possível observar a dimensão da caravana que está na estrada. Centenas de carros de apoio com tejadilho preparado para levar as bicicletas dos artistas das duas rodas.

Veículos de várias dimensões alinham-se lado a lado. Autocaravanas e camiões que servem de oficinas para que não falte uma única peça na engrenagem da equipa. Cada qual estende “alpendres” e monta toldos para proteger do calor que se avizinha, desdobram-se cadeiras para o descanso ou receber uma massagem, litros e litros de líquidos armazenados, fixações que ajudam os ciclistas a treinar sem sair do sítio, aparelhos de medições cardíacas, uma mistura de ginásio ambulante e zona de spa, para recuperar forças e de mazelas.

Nas zonas de partida e de chegada, a itinerância veste-se com as cores das tendas de patrocinadores e com os habituais “comes e bebes”. Qualquer semelhança com uma festa de verão não é pura coincidência. Confundem-se, a que contribui os espetáculos de artistas de música entre o popular e o pimba, e demonstrações de produtos e associações locais.

Pedalar até a caravana chegar
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O momento alto de cada uma das etapas está sempre no ato da chegada para ver quem será o primeiro ciclista a chegar e quem irá vestir de Amarela.

O tradicional beijo das “meninas do pódio”, uma das imagens de marca do ciclismo, é uma tradição que se manterá, ao contrário da Volta à Espanha em que as subidas ao pódio de modelos femininas seguida do tradicional “prémio” nas faces dos ciclistas foi proibido pela organização da La Vuelta.

Um pedalou com Firmino Bernardino e Joaquim Agostinho. Outro andou em cima das bicicletas, mas tinha mais jeito para o futebol

O ciclismo foi, é e continuará a ser um desporto essencialmente popular. Em cada local de partida, meta ou pelas estradas é normal ver ciclistas “menos jovens” vestidos com licras com várias inscrições publicitárias bem coladas ao corpo.

Em Lisboa, à partida do prólogo, dois amigos, Vítor Jorge e Francisco Santos, lá estavam aperaltados a rigor, em cima de duas bicicletas “com a mesma idade e feitas na mesma fábrica”, embora de marcas diferentes, explicam.

Vítor, 67 anos, levou o ciclismo “quase a sério”, tendo pedalado ao lado de Joaquim Agostinho e Firmino Bernardino e Joaquim Agostinho, embora não tivesse chegado aos calcanhares de ambos. “Era muito alto para a bicicleta”, recorda.

Francisco, 69, ficou-se pelo ciclismo local. “Estive na equipa do Lousa mas também jogava futebol. Tinha mais jeito”, recorda.

Hoje pedalam mais a “caminho de um bom restaurante”, sorri Francisco. Vítor seguirá a etapa até Setúbal e deixa um aviso. Depois da Volta a Portugal vou “pedalar até Barrancos para ver os touros”, outra das suas paixões.

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