Os playoffs da NBA estão a ser uma das melhores fases a eliminar dos últimos (muitos) anos e uma das histórias mais bonitas foi escrita pelos Utah Jazz, que, depois de eliminarem os Oklahoma City Thunder (4-2) na primeira ronda, levaram a série com os Houston Rockets, vencedores da fase regular, até ao quinto jogo (1-4), mesmo sem poder contar com Ricky Rubio.

No final do jogo 2, que os Jazz venceram no Texas, o base espanhol publicou um tweet, mas não para dedicar 280 caracteres aos seus companheiros de equipa pelo triunfo diante de James Harden, Chris Paul e companhia. Em vez disso, Rubio usou aquela rede social para dar os parabéns a Igor Kokoškov, adjunto dos Jazz, por ter sido anunciado como futuro treinador principal dos Phoenix Suns.

Ricky Rubio está agradecido a Kokoškov e tem razões para isso. O técnico é especialista em desenvolvimento de jogadores e conhecido pelo trabalho específico que faz com bases. A época de carreira do internacional espanhol é disso exemplo. Mas há outros. Ao longo dos 18 anos como adjunto na NBA, Kokoškov trabalhou directamente com grande bases como Steve Nash e Goran Dragic.

A sua entrada na liga deve-se a Alvin Gentry, na altura no comando dos Los Angeles Clippers. O agora treinador dos New Orleans Pelicans apostou no sérvio, então adjunto na Universidade de Missouri. Foi o primeiro europeu a ser adjunto na NCAA (Division 1) e foi o primeiro adjunto europeu na NBA. Mais tarde, viria a ser também o primeiro europeu a sagrar-se campeão (Detroit Pistons, 2004) e o primeiro europeu a integrar a equipa técnica de um All-Star Game.

Para além de Gentry, trabalhou com treinadores como Larry Brown, Mike Brown e Quin Snyder, e conheceu por dentro o famoso ataque "Seven Seconds or Less" e a fantástica defesa dos Pistons de 2004. Esteve, portanto, em contacto com algumas das mentes mais brilhantes da liga e absorveu o melhor de cada um.

Pelo meio, Kokoškov foi construindo uma carreira sólida a nível internacional. Depois de dois anos (2004 e 2005) como adjunto do mítico Željko Obradović na seleção nacional da Sérvia e Montenegro, comandou a Geórgia entre 2008 e 2015, naquele que foi o seu primeiro projeto como treinador principal. E em 2016 assumiu a liderança da seleção eslovena, que levou ao título no Campeonato da Europa do ano passado.

A faceta de "player development" de Igor Kokoškov foi destacada pelo general manager dos Phoenix Suns, Ryan McDonough, aquando do anúncio da contratação do sérvio. Não foi por acaso. O conjunto do Arizona conta com um dos mais promissores jovens da NBA, o atirador Devin Booker, e, ao optarem pelo homem que orientou a Eslovénia nos últimos anos para o cargo de treinador principal, os Suns deixam em aberto a possibilidade de escolher Luka Dončić, prodígio esloveno do Real Madrid que integrou a seleção de Kokoškov no EuroBasket, no draft do próximo mês de Junho.

Tal como escrevi recentemente aqui, Dončić pode vir a tornar-se o segundo atleta europeu a ser escolhido na 1.ª escolha do draft, depois do italiano Andrea Bargnani em 2006, numa era em que a liga norte-americana está cada vez mais disponível para receber talento estrangeiro. Agora também do lado de fora das quatro linhas.

Entregar os destinos de uma equipa em reconstrução e com possibilidade de reunir um núcleo de jovens de enorme potencial a Igor Kokoškov (ganhou a corrida ao posto aos igualmente entrevistados David Fizdale, Steve Clifford, Frank Vogel e James Borrego) é a prova que caiu o muro que ainda impedia técnicos não-americanos de liderarem equipas da NBA.

Kokoškov é o pioneiro, mas outros podem seguir-se, como o italiano Ettore Messina e - quem sabe? - até o próprio Željko Obradović. A competência está a ser reconhecida, o trabalho ditará o resto.

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