Em entrevista à Lusa no palácio do Itamaraty em Brasília, Kenneth Nóbrega escolheu a área das energias renováveis como aquela que tem mais potencial de crescimento entre os dois países lusófonos.

“Na área de energia, onde Portugal, como país e como membro da União Europeia, pode intensificar a cooperação na produção de energias renováveis”, defendeu o responsável brasileiro, acrescentando que a transição energética europeia para o cumprimento das metas de descarbonização, “potencializada pelo conflito na Ucrânia, tornou ainda mais urgente a busca de energia”.

“Umas das áreas mais promissoras do relacionamento bilateral é na área da energia onde Portugal e o Brasil podem intensificar”, reforçou.

Kenneth Nóbrega sublinhou que com Portugal, já existe “uma relação empresarial, de investimentos, muito pujante e as perspetivas de investimento da Galp e da EDP em energias renováveis no Brasil são muito promissoras, sobretudo em hidrogénio verde”.

O secretário brasileiro recordou ainda que recentemente o país aprovou legislação para a produção de energia eólica 'offshore' e que a cooperação bilateral nesta matéria pode sair reforçada.

No início de maio, a Galp acordou a compra, após maturidade, de uma carteira de projetos de energias renováveis de até 4,8 GW que serão desenvolvidos no Brasil, e em outubro, a empresa, que é atualmente o terceiro maior produtor de petróleo e gás do Brasil, acordou em outubro a aquisição de duas carteiras de projetos solares em desenvolvimento nos estados da Bahia e Rio Grande do Norte à SER Energia, com capacidades de 282 MW e 312 MW, respetivamente.

Já a EDP, com forte presença no gigante sul-americano, assegurou um contrato para venda de energia renovável produzida por uma nova central solar no estado de São Paulo, Brasil, com capacidade de 254 megawatts (MW), que deverá entrar em operação em 2024.

No Brasil, a EDP registou lucros de cerca de 100,5 milhões de euros no primeiro trimestre de 2022.

“Portugal já é um parceiro muito antigo na área da energia, já conhece o ambiente regulatório brasileiro, conhece muito bem as leis, conhece as perspetivas de cooperação tecnológica”, reforçou Kenneth Nóbrega.

Num ano em que o Brasil comemora o seu bicentenário da independência, o secretário brasileiro lembra as singularidades da relação fraterna entre os dois países, que, entre outras, permite que o país colonizador participe nas celebrações do país colonizado.

“Há uma relação muito densa de muitos anos, constante fluxo de contactos de alto nível”, afirmou, recordando que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, se desloca ao país entre os dias 01 e 05 de julho e também marcará presença no dia 08 de setembro, no Congresso, para uma sessão solene das comemorações dos 200 anos de independência.

“Criou-se um património mútuo de confiança que ajuda muito para projetar novas avenidas de cooperação”, concluiu.

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