Depois de Klaus Regling ter hoje considerado provável que as agências melhorem ainda mais o ‘rating’ de Portugal “num futuro próximo”, o que poderá levar a “um círculo virtuoso”, Ricardo Mourinho Félix disse, à saída da reunião informal de 'rentrée' do Eurogrupo, que essa é também a expectativa do Governo, face ao "progresso que tem sido feito".

“O Governo tem trabalhado no sentido de adotar medidas e de continuar uma estratégia que foi definida desde o início. Vamos ter agora, proximamente, avaliações pelas agências de rating, e esperamos que as agências de 'rating' reconheçam esse progresso que tem sido feito e que isso se traduza em ‘upgrades’ e em revisões do ‘outlook’ das diferentes agências de ‘rating’”, declarou Mourinho Félix.

Pouco antes, na conferência de imprensa no final da reunião do Eurogrupo, presidida por Mário Centeno, e na qual Comissão Europeia e o Banco Central Europeu (BCE) deram conta das conclusões da sua oitava missão de vigilância pós-programa a Portugal, que consideraram “globalmente positiva”, Klaus Regling interveio para sublinhar que, “do lado dos mercados”, as notícias também são “bastante positivas”, e vaticinou que Portugal poderá mesmo beneficiar, em breve, de um “círculo virtuoso”.

“Os investidores regressaram a Portugal. Este é um desenvolvimento positivo. E há mesmo a possibilidade de os ‘ratings’ (avaliações) melhorarem ainda mais num futuro próximo, e pode então ter início um círculo virtuoso, em que os juros da dívida baixem ainda mais e os ‘spreads’ encolham ainda mais. E isso é tudo positivo”, declarou.

Em abril passado, a agência de notação financeira Moody's adiantou que o 'rating' atribuído a Portugal será melhorado se concluir que os progressos alcançados a nível orçamental e económico são sustentáveis, e se a redução da dívida for constante.

A Moody's tinha agendado uma revisão do 'rating' atribuído a Portugal, mas optou por não se pronunciar, mantendo a avaliação da dívida portuguesa em 'Ba1', uma notação que é considerada 'lixo', devendo esta agência de notação voltar a pronunciar-se sobre Portugal em meados de outubro.

A agência norte-americana continua a ser a única entre as quatro maiores a atribuir à dívida pública portuguesa uma nota especulativa, depois de Standard & Poor's (S&P), Fitch e DBRS já terem colocado Portugal no patamar de investimento.