A MDS, multinacional portuguesa de consultoria de riscos e seguros, adianta que "o tecido empresarial português está a enfrentar uma crise sem precedentes, com redução significativa da atividade”.

Segundo o estudo que tem por base um inquérito realizado junto de 115 empresas nacionais de quase duas dezenas de setores de atividade, “menos de metade das empresas conseguiram manter o seu nível de atividade, mas uma pequena franja (5,2%) conseguiu crescer à sombra da pandemia”.

“A generalidade das empresas teve de implementar medidas para responder aos constrangimentos, seja por imposição legal, como o caso do teletrabalho e de medidas de proteção sanitária, seja porque a solidez financeira das empresas foi afetada”, acrescenta, salientando que “a redução do investimento, o corte de custos e o recurso ao ‘lay-off’ estão entre as principais medidas adotadas, sendo relativamente reduzido a percentagem das empresas que procuraram novas formas de fazer negócio e de melhorar a sua oferta”.

Quase metade dos participantes do estudo (45,2%) foram microempresas, 19,1% pequenas empresas, 16,5% empresas de média dimensão e 19,1% de grande dimensão.

Os empresários e gestores estimam que a recuperação económica portuguesa seja em “U”, demorando “entre um a três anos a regressar aos níveis de atividade anteriores”.

A pandemia “provocou uma forte volatilidade no negócio das empresas, com impacto significativo na faturação”.

Mais de dois terços das empresas (73,1%) “esperam uma redução do seu volume de negócios no período de abril a junho, face aos três primeiros meses do ano”, enquanto 10,4% esperam “registar um crescimento dos seus volumes de negócio”.

“A redução dos níveis de atividade deverá continuar durante a segunda metade do ano, com cerca de três em cada quatro empresas (73%) a estimarem uma diminuição das vendas, enquanto apenas 12,1% esperam um aumento”, lê-se no estudo desenvolvido pela MDS que contou com a colaboração da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP) e da BA&N Research.

“Tendo em conta a mediana da amostra de empresas que estimam uma redução do indicador, a redução do volume de negócios no segundo semestre do ano poderá situar-se no intervalo entre os 25% e 40%”, adianta o estudo.

“Mais de três em cada cinco empresas (61,7%) estima um nível de atividade inferior nos próximos 12 meses, enquanto 23,5% esperam um nível idêntico e 14,7% um nível superior”, acrescenta, apontando que “mais de metade das empresas (56,5%) assumem uma expectativa de corte ou suspensão total do investimento nos próximos 12 meses”.

Em termos dos recursos humanos, “os atuais instrumentos como o ‘lay-off’ ou a redução de horário e turnos continuarão a fazer parte da vida de algumas empresas, sendo que apenas 3,5% admitem vir a realizar despedimentos e 2,6% ter uma posição inversa, criando emprego”.

A principal preocupação atual dos gestores e empresários “é o nível de liquidez e situação de tesouraria das suas empresas, seguindo-se a falta de encomendas e o pagamento de salários”, sendo que “em alguns setores, como o industrial, a expedição da produção e o abastecimento são também alvo de grande preocupação, pois colocam em causa o funcionamento das unidades”.

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