Vencedores: primeiro, Luigi di Maio, aos 31 anos, torna-se o líder anti-sistema mais votado em toda a Europa, com mais de 30% dos votos para o Movimento 5 Estrelas, criado há nove anos, apostado na comunicação digital, agora principal força política de Itália; também ganhador, Matteo Salvini, aos 44 anos, este admirador de Le Pen e de Putin, impõe a Liga como principal parceiro na aliança das direitas, assim puxada para a extrema-direita.

Até parece que uma mente perversa se pôs ao comando em Roma para mergulhar a Europa em sobressalto. A derrapagem evitada há um ano em França e na Holanda acontece agora em Itália, depois de já ter deslizado na Áustria. A Itália tende a alinhar-se politicamente, face à União Europeia, com as posições nacionalistas do Grupo de Visegrado, formado pela Hungria, Polónia, República Checa e Eslováquia. É estranho imaginar o governo de Roma mais próximo do de Budapeste e Varsóvia que do de Paris, Berlim ou Bruxelas.

Quem vai governar em Roma? O enigma não tem solução à vista. Não se vislumbra alguma base para entendimento político que gere maioria entre as forças que aparecem vencedoras, a não ser na rejeição da imigração.

Falou-se muito, nos últimos meses, que o presidente Mattarella, perante o previsível cenário de ingovernabilidade optasse por investir um governo técnico, de iniciativa presidencial. Andava no ar a possibilidade de continuidade, a prazo, do atual governo, chefiado por Gentilloni (centro-esquerda), que conseguiu progressos na gestão económica de Itália. Os resultados eleitorais tendem a inviabilizar esse cenário.

É facto que os italianos estão habituados ao caos político e, mesmo assim, o país tem funcionado.
Até ontem, a Itália política aparecia com três blocos: o centro-direita, o centro-esquerda e o Movimento Cinco Estrelas. A Liga, de extrema-direita, tinha-se aliado com a Forza Italia do ressurgido Berlusconi, e parecia querer pendurar-se no bloco da direita. Afinal, passa a liderá-lo.

Agora, os blocos políticos em Itália são dois: o 5 Estrelas da anti-política e a extrema-direita. O centro-esquerda, que nos últimos 25 anos tomou identidade incerta, com sucessivas mudanças de nome (Oliveira, Progressistas, Federação, Aliança, União e, agora PD-Partido Democrático) aparece como divisão secundária. A Forza Italia fica reduzida a uma sombra do que foi.

A nova direita que aparece em Itália, em volta da Liga, tem vestígios dos velhos movimentos fascistas. A linguagem política italiana vai passar a recorrer com frequência à expressão fascismo.

Será que está a começar uma nova relação da Itália com a democracia liberal assente no respeito dos direitos, da tolerância e da diversidade? É provável.

Os resultados eleitorais italianos deixam no ar muitas perguntas: Como se chegou a este populismo? O que é que conduziu a uma votação tão anti-europeia e fortemente racista? A Itália passa a ser um laboratório político sob atenta observação da Europa.

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