Umas semanas antes, os pastores das paróquias de Vilamoura começam a pregar nas redes sociais, mudam as suas capas e fotos de perfil do Facebook para imagens com orações ao Bliss, ao Lick ou Agua Moments. Mandam mensagens de grupo via Whatsapp e Messenger, que os crentes aceitam como dogmas, como se fossem peixes e eles, por outro lado, os Padres António Vieira. Aliciam os crentes com pulseiras e garrafas – comprem uma garrafa num privado e recebam de oferta um saquinhos de hóstias. Dizem que guest é com eles, porque há crentes que acreditam com tanta força que merecem entrar primeiro na paróquia à hora da missa. É um deus que não vê todos com os mesmos olhos, e ainda bem, porque nestas missas ninguém quer estar ao lado de feios e pobres.

E chega o dia de arrancar. A procissão avança com boias flamingo no lugar dos andores, com telemóveis em constante 'instastory' a iluminar o caminho à falta de velas, e o coração a jorrar amor por partilhar, de preferência com preservativo emocional.

Meca, Fátima, Santiago de Compostela, Lourdes e Vilamoura. As religiões são diferentes, a devoção é a mesma. Caminha-se muito, deseja-se tanto e gasta-se ainda mais dinheiro à espera que as preces sejam ouvidas e realizadas. Há quem ajoelhe, há quem peque e depois confesse, há quem se revolte com o seu deus por ter ido 20 noites a umas das paróquias e o melhor que lhe aconteceu foi um roçar ao de leve num crente relativamente atraente no meio da confusão.

Portanto, os crentes que passam o ano juntos nas suas cidades, vão para Vilamoura para continuarem a estar juntos a fazer exatamente as mesmas coisas. Mas a fé não se explica, sente-se, e no fundo, o que toda a gente mais procura é chegar ao final de cada dia a suspirar “oh, meu deus; oh, meu deus!”.

Sugestões mais ou menos culturais que, no caso de não valerem a pena, vos permitem vir insultar-me e cobrar-me uma jola:

Costa Vicentina: De longe, o meu sítio preferido para ir à praia e comer peixe em Portugal. Se não conhecem, está na altura de ir a Odeceixe, Arrifana ou Aljezur.

Vilamoura: Se, pelo contrário, querem é praias a abarrotar de gajos inchados do ginásio, eles próprios parecendo boias pavão, e meninas com mais área de corpo preenchida com unhas de gel do que com tecido de biquíni, então a praia da Falésia é para vocês.

Bombeiros: Por todo o país, os bombeiros vão continuar a precisar de muita ajuda. Não deixem a onda de solidariedade passar e continuem a ajudar em força os vários quartéis.

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