Uma coisa é barafustar nas redes sociais sobre isto e aquilo, a outra é perder dois minutos, dar email e nome completo para participar na sociedade civil. Somos um povo com pouca tradição na expressão pública da nossa opinião em sede de direito. Temos uma abstenção nos actos eleitorais ilustrativa disso mesmo.

As consultas públicas são também gestos políticos – sendo que política é tudo o que envolve a polis, se seguirmos os princípios milenares que tentam gerir estas coisas – e existem. Não existem muitas formas de divulgação das mesmas, não são notícias escaldantes nem contribuem para a silly season, talvez por isso não surjam com abundância e, menos ainda, nas televisões.

Ainda há dias, uma grande amiga queria participar da consulta pública relativa aos programas escolares portugueses e, quando soube que tal era possível, já o site da dita cuja consulta estava desactivado. Aproveito para perguntar: será que teremos novas sobre esta consulta pública? Adiante.

Agora, até ao dia 16 de agosto, todos os cidadãos da União Europeia podem pronunciar-se sobre se querem, ou nem por isso, terminar com os chamados horários de verão e de inverno. As mudanças acontecem todos os anos, uma em março, a segunda em outubro.

A eliminação prejudica mais os países a sul da Europa, habituados a luz e com hábitos coincidentes com esta realidade. Como uniformizar a luz? É como o acordo ortográfico? E o que interessa aos suecos ter a mesma hora que nós?

Dizem-me que há uniformização de horários, logo de serviços. Bom, não me comove grandemente o argumento. Uma repartição pública na Alemanha não se gere como uma em terras de Espanha. Não somos iguais. Somos geograficamente diferentes mas não só. Culturalmente, somos distintos e funcionamos de modo diverso. A partir daqui também iremos discutir os feriados nacionais de forma a que todos os países possam estar sintonizados?

Uma coisa é certa, os povos do sul são menos atentos a estas coisas, consideram a participação na sociedade civil como uma enorme chatice, pelo menos é que me parece, a avaliar pelos níveis de abstenção já referidos, logo não irão debruçar-se sobre esta questão da mudança ou não de horário no verão. Já os povos do norte têm outra apetência para estas coisas e, no caso, os media são mais atentos e divulgam com frequência e em suportes distintos. Se, de repente, tivermos de viver numa outra realidade, sem termos dito ou contribuído com a nossa opinião, vamos ficar... lixados. Digo eu.

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