Para onde vai a covid-19?

Pedro Soares Botelho
Pedro Soares Botelho

Com o país mediático imerso nas discussões em torno do Orçamento do Estado e da subida dos preços da energia, a crise pandémica parece ter subitamente dado lugar a uma suposta crise política. Com 85% da população totalmente vacinada, com cada vez menos restrições em vigor, para onde vai agora a covid-19?

O presidente da República alertou ontem que "enfrentamos globalmente um período difícil, a pandemia ainda não terminou", mas ao mesmo tempo disse não esperar um agravamento da covid-19 em Portugal.

"Estava a ler hoje os mais recentes relatórios sobre a pandemia ainda na Europa, nalguns países bem conhecidos da Europa, novamente a pedirem mais confinamentos, mas sobretudo noutros continentes: África, América Latina e mesmo a Ásia, o que significa que a recuperação económica e social está um pouco atrasada, será mais lenta e mais difícil", apontou o chefe de Estado.

Questionado pela comunicação social sobre se teme um agravamento da covid-19 em Portugal ou um aumento de casos da nova subvariante da Delta do SARS-CoV-2 em território nacional, o presidente da República respondeu negativamente: "Não. Não temos até agora dados nenhuns nesse sentido".

"O que eu digo é que internacionalmente as notícias que chegam, quer de países europeus, quer fora da Europa, são de que a transição, a passagem de pandemia para endemia – quer dizer, uma situação em que há doença, mas não tem o caráter de pandemia – está a ser muito lenta", reiterou. Marcelo Rebelo de Sousa referiu que isso está a acontecer "em continentes fora da Europa, mas também na Europa alguns países tiveram recuos, e países que eram considerados muito avançados nesse domínio, em que as últimas informações obrigam a tomada de medidas mais duras".

"Não é, felizmente, o caso de Portugal. Não é, felizmente, o caso da maior parte da União Europeia", acrescentou.

Os dados das autoridades de saúde portuguesas divulgados hoje, porém, apontam para uma "tendência crescente" de infeções pelo coronavírus na maioria das regiões, em consequência do aumento médio do índice de transmissibilidade (Rt). “Observou-se um valor de Rt superior a 1 na maioria das regiões, com exceção do Alentejo e Algarve, indicando uma tendência crescente da incidência de infeção por SARS-CoV-2”, avança o relatório das “linhas vermelhas” da Direção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

Segundo a análise de risco de hoje, em comparação com os valores apresentados no último relatório, o valor médio do Rt – que estima o número de casos secundários de infeção resultantes de uma pessoa portadora do vírus — aumentou em quatro das cinco regiões continentais. Assim, este indicador subiu no Norte de 0,97 para 1,00, no Centro de 1,05 para 1,11, em Lisboa e Vale do Tejo de 1,02 para 1,03 e no Algarve de 0,85 para 0,95. Com uma evolução contrária, está o Alentejo que apresentou uma redução do Rt de 1,06 para 0,80 no espaço de uma semana.

“Estes resultados sugerem uma tendência crescente das infeções por SARS-CoV-2 em todas as regiões, à exceção do Alentejo e Algarve”, destacam as “linhas vermelhas” da pandemia de covid-10, ao avançar que nenhuma região apresentou, porém, uma incidência de novos casos superior ao limiar de 240 casos em 14 dias por 100 mil habitantes.

Por grupos etários, a incidência cumulativa mais elevada correspondeu às pessoas entre os 20 e os 29 anos, com 151 casos por 100 mil habitantes e com tendência crescente, enquanto a faixa dos idosos com 65 ou mais anos está agora nos 68 casos e em situação estável.

A análise semanal dos diferentes indicadores revela uma atividade epidémica de “intensidade reduzida e transmissibilidade moderada”, que se reflete numa tendência estável da pressão sobre os serviços de saúde e no impacto na mortalidade associada à covid-19. Os dados do INSA e da DGS indicam que número de pessoas com covid-19 internadas em Unidades de Cuidados Intensivos corresponde a 23% do valor crítico definido de 255 camas ocupadas, sensivelmente idêntico à semana anterior. Na quarta-feira, estavam em cuidados intensivos nos hospitais de Portugal continental 58 doentes.

Já no que diz respeito à mortalidade por covid-19, verificaram-se 9,4 óbitos em 14 dias por um milhão de habitantes, que corresponde a um aumento de 2% relativamente à semana anterior: “Este valor é inferior ao limiar de 20 óbitos em 14 dias por um milhão de habitantes, definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças”, refere o documento das autoridades de saúde, que consideram reduzido o impacto da pandemia na mortalidade em Portugal.

Relativamente às variantes, o relatório confirma que foram detetados nove casos de uma sublinhagem da Delta, denominada AY.4.2, que tem “suscitado particular interesse na comunidade científica internacional devido ao seu aumento de frequência no Reino Unido nas últimas semanas”. Estes nove casos foram registados entre 24 de agosto e 4 de outubro e representam várias introduções independentes desta sublinhagem da Delta, variante que continua a ser a prevalente em Portugal, com uma frequência relativa de 100% há várias semanas. A nível nacional, a proporção de testes positivos para SARS-CoV-2 foi de 1,6% — na semana anterior tinha sido de 1,4% —, encontrando-se abaixo do limiar definido de 4%.

No total, desde março de 2020, morreram em Portugal 18.125 pessoas e foram contabilizados 1.083.651 casos de infeção, segundo dados da Direção-Geral da Saúde. É aqui que está a pandemia.

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