Santos Silva admitiu, em resposta ao deputado do PSD Duarte Marques, que a visita do Alto Representante da União Europeia (UE) para a Política Externa, Josep Borrell, “correu mal, certamente”, tendo em conta “os resultados negativos” da mesma.

Para o ministro dos Negócios Estrangeiros, “o que aconteceu de negativo foi um nível de hostilidade da Rússia em relação à União Europeia excessivo, além de tudo o que é admissível nas relações diplomáticas”.

“Alguma hostilidade pode ser compreendida no caso de relações diplomáticas sobre processos muito difíceis, mas o nível de hostilidade verbal usado pelo senhor [Sergei] Lavrov foi evidentemente desmesurado e terá consequências”, apontou Santos Silva, referindo-se ao ministro russo dos Negócios Estrangeiros, que, numa conferência de imprensa em São Petersburgo, fez referência a uma possível rutura das relações com a UE, no caso de novas sanções.

Além disso, a visita de Josep Borrell coincidiu com “mais uma etapa na perseguição judicial ao senhor Alexei Navalny e a expulsão de três diplomatas de três Estados-membros da UE”, acrescentou.

Para Santos Silva, as dificuldades atuais no relacionamento dos 27 com Moscovo “são claras”, referindo-se nomeadamente à anexação da Crimeia e à violação da soberania da integridade territorial da Ucrânia, que “representaram um agravamento no comportamento da Rússia que não é aceitável para UE”.

Por outro lado, a “deriva autocrática em que se encontra o Estado russo” evidentemente “não pode senão agravar o relacionamento com a UE, que faz das questões de Estado de direito, de direitos humanos, questões fundamentais no relacionamento bilateral”, acrescentou.

O ministro dos Negócios Estrangeiros defendeu que é preciso reagir às declarações russas, “mas reagir com cabeça fria”, considerando que “substituir em diplomacia o cálculo, sensatez, ponderação e inteligência por reações mais emocionais do que racionais não é uma boa maneira de proceder”.

Contudo, Santos Silva acredita que “não há nenhuma razão” para que a UE altere os seus “princípios de relacionamento com a Rússia”, designadamente o cumprimento dos Acordos do Minsk, a cooperação seletiva com a Rússia em assuntos de interesse comum, o apoio à sociedade civil russa, o reforço da resiliência europeia face a ciberataques e o apoio à vizinhança leste.

Na próxima segunda-feira irá decorrer o Conselho dos ministros de Negócios Estrangeiros no qual “haverá certamente uma evolução no relacionamento da UE com a Rússia”, perspetivou Santos Silva, admitindo que “essa relação está nos seus pontos mais baixos”.

A visita de Josep Borrell a Moscovo ficou marcada pela expulsão de diplomatas da Alemanha, Polónia e Suécia pelo Kremlin, e foi qualificada por alguns eurodeputados de “humilhante”, tendo estes endereçado uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a pedir a demissão do chefe da diplomacia europeia.

Numa nota publicada no domingo no blogue do Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE), Borrell qualificou a visita de “muito complicada”, marcada por uma “conferência de imprensa agressivamente encenada” e pela indicação de que “as autoridades russas não querem aproveitar” a oportunidade para “ter um diálogo construtivo com a UE”.

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