Inspirar, experimentar, conectar. É este o desafio do Rock in Rio Innovation Week, que arranca esta terça-feira e prolonga-se até 5 de julho, no LACS, em Lisboa. Nesta segunda edição, o indivíduo é o ponto de partida, porque é através dele que a mudança se opera.

São quatro dias de formação, mais de 150 horas, e dezenas de oradores. Uma oportunidade para falar sobre criatividade, sobre reinventar modelos de trabalho e inovar, sobre o que somos e o que queremos (e podemos) ser. Os dias terminam sempre no rooftop do LACS ao som de Tyler Faraday, Carol Campolina, Os Camelos, os Serushio e Pedro Motta.

E no que à inspiração diz respeito, Diana Nunes procurará fazê-lo trazendo para o debate casos em que a tecnologia nos aproxima uns dos outros e reforça a nossa humanidade.

A empreendedora social convidou Khuloud Kalthoum, uma engenheira síria que escolheu Portugal para prosseguir os estudos e que, através do programa SPEAK, procura garantir que outros imigrantes ou refugiados, tal como ela, se sintam em casa quando escolhem Braga para viver. A partilhar o mesmo palco estará Francisco Batista, diretor de marketing da Tykn, uma plataforma de gestão da identidade digital criada por Toufic "Tey" Al Rjula, o "homem invisível". Tey não pôde vir a Lisboa por questões burocráticas, lamenta Diana, que com entusiasmo partilha a história deste refugiado.

Em 2012, Toufic "Tey" Al Rjula descobriu que na verdade era "invisível". Nascido no Kuwait, durante a Guerra do Golfo, teve os seus registos de nascimento destruídos. Em 2014, quando a sua autorização de trabalho expirou, Tey foi forçado a ir para um campo de refugiados nos Países Baixos e iniciar um pedido de asilo. Ali ficou dois anos, e conheceu mais de mil homens, mulheres e crianças "invisíveis", cuja identidade ou habilitações — tantas vezes guardadas em frágeis papéis ou cartões — se perderam ou foram destruídas. Segundo dados das Nações Unidas, cerca de 290 milhões de crianças não têm certificado de nascimento emitido. A identidade é fundamental para o acesso à educação, saúde ou segurança social e deixa estas pessoas mais vulneráveis, por exemplo, ao tráfico humano. Desta experiência de Tey nasceu a Tykn, uma plataforma de gestão da identidade digital, garantindo a portabilidade e a segurança da mesma. É disto que Francisco vem falar.

Khuloud Kalthoum, por sua vez, chegou a Portugal há quatro anos para prosseguir os estudos, no âmbito de uma bolsa ao abrigo da Plataforma Global para Estudantes Sírios, e em 2017 conheceu o SPEAK, um projeto criado em 2013 que junta locais, imigrantes e refugiados para que se partilhe a língua, a cultura e se criem relações. Conquistada pelo projeto, a engenheira eletrotécnica decidiu lançá-lo em Braga.

Diana revê-se nesta experiência, ela que depois de se mudar para a Holanda lançou o projeto SPEAK Amesterdão e SPEAK Utrecht.

Para se deixar inspirar (e desafiar) por Diana, Khuloud e Francisco teria de esperar até dia 3 de julho, mas o ciclo de palestras, workshops e oficinas criativas arranca já hoje e são vários os destaques.

Minnie Freudenthal, médica e inspiradora do projeto MindBlackout vem ao LACS mostrar como a neurociência pode ajudar-nos a desenvolver um mundo interior e social mais humano. Já Lourenço de Lucena desafia a uma "talk sensorial" sob a premissa de que o futuro cheira bem. A fechar o dia, Marcos Piangers, com quem o SAPO24 teve a oportunidade de conversar na Alfândega do Porto, vem a Lisboa falar sobre tecnologia e oportunidades digitais, nomeadamente o que caracteriza uma empresa inovadora e como é que um mundo hiperconectado está mudar marcas, profissões e pessoas.

São ainda de referir as sessões de networking com a curadoria de Marta Leite Castro, que vão acontecer nos dias 2, 3 e 5 de julho, mas que neste arranque juntam à mesa Isabel Neves (Advogada e Presidente do Business Angels Club de Lisboa) e Filipa Martins (Diretora do SAPO). O tema: as motivações e principais desafios de mulheres ligadas à área empresarial no mundo digital.

Além destas conversas, são vários os workshops e momentos de mentoria a referir, entre os quais o de Manon Rosenboom Alves, com quem o SAPO24 esteve também à conversa dias antes deste evento, levantando o véu sobre aquilo que os participantes podem esperar.

Ao longo de todo o dia haverá também sessões de speed interviews [entrevistas rápidas] com managers da Microsoft para captação de talentos nacionais, o que se configura como uma oportunidade para recém-licenciados que queiram dar os primeiros passos no mercado de trabalho nacional.

No segundo dia do evento, 3 de julho, destaque para a presença de Lucas Foster, um criativo inspirado, que se propôs celebrar a criatividade nos quatro cantos do mundo. Já lá vão 60 cidades e o próximo objetivo é chegar às 250. Levantamos o véu aqui. Logo de seguida, os participantes vão poder falar sobre paixão — neste caso paixão pela rádio — com os locutores da Mega Hits Filipa Galrão, Maria Correia, Mafalda Castro e Conguito. Já depois do almoço, o palco é de Mafalda Ribeiro, que nos desafia a parar, escutar e olhar, porque a "esperança pode vir de rodas"; de Daniel Aisenberg, que irá explorar a empatia como ferramenta de negócio, ao alcance de qualquer pessoa e não apenas daqueles que se orgulham de ser mais afáveis; e, lá está, de Diana, Khuloud e Francisco; entre muitos outros.

E se estas palestras servem para inspirar, outros momentos são dedicados à experimentação. Carla Costa e Sandra Coelho abrem o dia com um desafio aos líderes, pedindo-lhes que assumam a responsabilidade pela gestão da mudança. Já Bibi Groot e Carlos Mauro exploram, através de exercícios simples, técnicas que visam ajudar a definir prioridades, planear, desafiar e garantir que se mantém fiel aos seus objetivos. Já Diogo Costa vem falar de vendas e não faz por menos, o seu workshop chama-se "Se eu pudesse vendia a minha mãe" (esperemos que ela não esteja a ler este artigo). Há ainda tempo para abordar competências de comunicação, com Nuno Leite e depois com Martha Terenzzo, ou explorar "a necessidade de desenvolver um novo sistema operativo para os seres humanos" com Joana Sobreiro, Vera Braz Mendes e Diogo Horta e Costa. Mais uma provocação?

A abrir o dia 4, Paula Marques pergunta: E se os humanos forem feitos de música? A Diretora Executiva para a Educação, Inovação e Digital na Universidade Nova e Manager de Conhecimento e Inovação na Mercer marcou presença num dos primeiros encontros de apresentação do Rock in Rio Innovation Week e, à data, disse-nos que está à procura daqueles que preferem ser humanos de primeira em vez de máquinas de segunda, os que travam e aceleram ao mesmo tempo e veem na contradição e no desconforto uma construção. Os que sabem dizer ‘não’. Os “super-humanos”, diz. A sua palestra foi uma jornada musical de autoconhecimento e a expectativa é que se embarque noutra esta quinta-feira.

A escolha será difícil, no entanto, já que à mesma hora uma outra Paula, desta feita Paula Panarra, General Manager da Microsoft, toma a palavra para falar sobre uma mentalidade de crescimento, que tem marcado a cultura da empresa ao longo dos últimos anos e que assenta na crença de que qualquer pessoa pode mudar, aprender e crescer. Ou seja, o potencial é estimulado e não pré-determinado. A curiosidade serve como alavanca.

Antes do almoço, tempo ainda para ouvir o "José Mourinho da comunicação", mas que na verdade é uma mulher: Sara Batalha, CEO da MTW Portugal. Sara e a sua equipa transformam os CEO das principais empresas em líderes comunicativos que inspiram, motivam e levam outros à ação. E a promessa para esta talk é que Sara desvende alguns segredos, que é como quem diz, cinco técnicas que podem ser aplicadas nos mais variados contextos de comunicação, desde a entrevista de emprego à mesa de negociações. A tarde é dedicada à criatividade, pela "cusquice" de Luís Cordeiro, à felicidade, pela voz de Fábio Pina, à confiança, pela experiência de Luís Pedro da Costa, apenas para referir alguns. Ao nível dos workshops do dia, Cristina Tadeu pergunta "e se?"; Beatriz Zanetti fala sobre "gestão de carreira 4.0" e Eduardo Adas ajuda a criar o pitch [apresentação] perfeito.

No quarto e último dia, o Rock in Rio Innovation Week olha para tendências, para um futuro no feminino, mais humano e mais conectado. Mas se quer meter mãos à obra, é um fim de roteiro em que dominam os workshops, com destaque para a presença de Mark Mekelburg, co-fundador da Operação Nariz Vermelho, que não vem ensinar ninguém a ser palhaço, mas antes incentiva a interação e a comunicação através de jogos inesperados que proporcionam um ambiente que encoraja, inspira e liberta a criatividade e a imaginação. E se Chloé Stückelschweiger desafia os presentes a observar e a criar o futuro que desejam, Alan Pogrebinschi traz "mindfulness funcional", um conjunto de meditações simples e potentes que lhe permitirão estar mais conectado consigo e com as pessoas à sua volta, e Camolie Fagerberg chega mesmo a desafiar os presentes a encontrar o seu artista interior.

Se ficou curioso, pode consultar toda a programação aqui.

Apesar de começar hoje, ainda é possível marcar presença. Os bilhetes estão à venda na Ticketline. O bilhete diário é de 39 euros e o passe para os 4 dias é de 99 euros. Há ainda descontos para pacotes corporativos acima dos 10 bilhetes, sendo que no caso deve contactar a organização.

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