Falar de amor é falar de relação.

De relação comigo, contigo, com este ou com aquele.
Pode até mesmo ser relação com Deus, para os que creem.

Falar de amor é falar, comunicar, interagir.
Falar de amor é falar,
mesmo no silêncio dos dias que passam.
É colocar por palavras aquilo que nos arde no peito,
no mais profundo do nosso ser.

É querer partilhar tudo aquilo que nos une,
que nos entrelaça,
que nos move.
Mesmo que doa,
mesmo que nem tudo sejam rosas
e que os espinhos sejam maiores do que pensamos conseguir suportar.

É ser tudo e ter tudo e num instante tudo poder voar.
É intensidade.

Mas mais importante do que falar de amor, é ser amor.
Esse é o desafio desta vida.
Não o de ter uma paixão avassaladora,
daquelas dos filmes romanceados de Hollywood,
ou de ter um amor para a vida toda e mais alguma coisa.
Não se trata de ter um amor carnal.

O desafio da vida é ser amor,
comigo, contigo, com este ou com aquele.

É ser amor, mesmo para quem me magoa,
mesmo para aqueles que me desafiam,
mesmo para aqueles que nunca vi nem ouvi falar.
É personificar o amor gratuito e humano, puro.
Sem interesses, sem presunções.

É um amor sem medida, já dizia Santo Agostinho.
E sem medida é isso mesmo:
sem balizas, sem patamares, sem prémios.
Não há melhor nem pior,
trata-se do amor que une pessoas, sem outras intenções.

Ser amor não é necessariamente ser casal, namorar ou casar.
Não é esse o tipo de amor que vos falo.
Falo de um amor maior,
um amor Cáritas,
que dá sem esperar nada em troca.
E que une qualquer pessoa, homem, mulher, criança...
É um amor desmedido, sem preconceitos.
É amor comigo, contigo, com este ou com aquele.

Se é um amor fácil? Não. Nada fácil.
Porque nos obriga a sair de nós mesmos,
dos nossos egoísmos e interesses.
Leva-nos ao limite de não pensarmos mais em nós e nas nossas vontades
e de nos conectarmos profundamente com as necessidades do outro,
daquele que tanto pode estar aqui ao meu lado
como pode estar do outro lado do mundo.

Não se trata de facilitismos ou de atos heroicos,
porque se fosse fácil não teria o nome de amor.

Trata-se apenas de humanizar,
de olhar o outro como quem olha para si mesmo.
Se este ser amor reinasse, talvez o mundo fosse um pouco melhor,
comigo, contigo, com este ou com aquele.


Texto por Ana SousaHoje, Dia dos Namorados, publicamos uma seleção dos textos que resultaram da iniciativa lançada pelo SAPO24 e O Primeiro Capítuloassinados por novos nomes de quem tem na escrita uma forma de expressão. 

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