“O dossier do material de lançamento dos satélites e dos próprios satélites é uma questão civil”, afirmou Amir Hatami, citado pela agência oficial Irna.

“Podemos utilizar um satélite com fins defensivos, mas o lançador espacial é um dossier que não é defensivo e é um direito absoluto da nação iraniana”, adiantou.

Hatami insistiu que “não há qualquer proibição no mundo” contra o programa espacial iraniano.

O Irão lançou no domingo um novo satélite de observação científica, o Zafar, que não conseguiu colocar em órbita.

Na terça-feira, o chefe da diplomacia norte-americana, Mike Pompeo, acusou o Irão de pretender reforçar as suas competências no domínio dos mísseis balísticos através do lançamento de satélites.

“As tecnologias utilizadas para colocar os satélites em órbita são praticamente idênticas e podem trocar-se” com as utilizadas nomeadamente para “os mísseis balísticos intercontinentais”, salientou o secretário de Estado.

“Continuaremos a exercer uma pressão enorme sobre o regime (iraniano) para que modifique o seu comportamento”, advertiu Mike Pompeo num comunicado, criticando as “atividades perigosas” do Irão no campo dos mísseis balísticos.

Hatami respondeu hoje que o Irão vai continuar com o seu programa espacial, prevendo o lançamento de uma nova versão do satélite Zafar no início do próximo ano.

No domingo, os Guardas da Revolução iranianos revelaram um míssil balístico de curto alcance, que pode, dizem, ser projetado por um reator de “nova geração” concebido para colocar satélites em órbita.

O general Hossein Salami, comandante dos Guardas da Revolução, revelou o míssil Raad-500 e os reatores ao lado do general Amirali Hajizadeh, chefe da divisão aeroespacial.

As tensões entre os Estados Unidos e o Irão, que têm vindo a crescer desde que Washington abandonou unilateralmente em maio de 2018 o acordo internacional sobre o nuclear iraniano, agravaram-se em janeiro com o ataque norte-americano em Bagdad que matou um poderoso general iraniano Qassem Soleimani.

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