Numa conferência de imprensa em Roma, Jens Stoltenberg disse que a Turquia, membro da Aliança Atlântica desde 1952, “tem preocupações legítimas de segurança”, ao ter sofrido “ataques terroristas horríveis” e por ter recebido vários milhares de refugiados, grande parte oriundos da Síria.

Stoltenberg falava horas depois do início de uma nova operação militar no nordeste da Síria, anunciada previamente pelo Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, contra a milícia curda das Unidades de Proteção Popular (YPG), apoiada pelos países ocidentais, mas considerada terrorista por Ancara.

Na capital italiana, o secretário-geral disse que a NATO foi informada sobre a operação em curso, frisando que “o importante é evitar ações que possam desestabilizar ainda mais a região, aumentar as tensões e causar mais sofrimento humano”.

Citado pelas agências internacionais, Jens Stoltenberg acrescentou que a Turquia deve agir com “contenção” e que qualquer ação deve ser “proporcional”.

O secretário-geral da NATO irá discutir a ação militar com o líder turco na sexta-feira em Istambul.

Ao início da tarde de hoje, através da rede social Twitter, Erdogan anunciou o início da ofensiva.

“As Forças Armadas turcas e o Exército Livre da Síria (rebeldes sírios apoiados por Ancara) iniciaram a operação ‘Fonte de paz’ no norte da Síria”, declarou o Presidente turco.

A ofensiva turca surge após o anúncio do Presidente norte-americano, Donald Trump, no domingo, de que as tropas dos Estados Unidos iam abandonar a zona em causa.

Segundo Erdogan, a operação militar que arrancou hoje visa “os terroristas das YPG e do Daesh [acrónimo árabe do grupo extremista Estado Islâmico]” e pretende estabelecer uma “zona de segurança” no nordeste da Síria.

“A zona de segurança que iremos criar permitirá o regresso de refugiados sírios ao seu país”, acrescentou o líder da Turquia, país que acolhe atualmente cerca de 3,6 milhões de refugiados.

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