"Vocês nunca estão contentes com nada, hein?". Foi assim que começou a conversa de corredor de Ricardo Quaresma com os jornalistas na zona mista, quando o extremo do Besiktas foi questionado sobre a exibição da seleção portuguesa no jogo desta segunda-feira frente ao Irão, que ditou o apuramento da seleção das quinas aos oitavos de final do Mundial de Futebol. Eleito homem do jogo no Portugal - Irão desta segunda-feira, Quaresma confessou-se feliz "por tudo. Por marcar, por jogar, por passarmos".

Para o número 20 da equipa das Quinas a seleção fez um bom jogo. "Fizemos o nosso trabalho, sabíamos que íamos sentir dificuldades, [com] a equipa do Irão com todos lá atrás... O que poderíamos fazer mais? Criámos oportunidades, [mas] não marcámos. Agora, é como vos disse: alcançámos o objetivo e é continuar a trabalhar", sentenciou.

Mas a verdade é que Quaresma foi o homem do jogo numa noite em que Cristiano Ronaldo, até aqui salvador da pátria, fez um encontro menos conseguido. O golo do extremo encheu o estádio. De trivela, como tão bem sabe, o antigo jogador do FC Porto conseguiu, já dentro da área, colocar a bola bem no canto superior esquerdo da baliza.

"Acho que já habituei as pessoas a chutar dessa maneira, tive a sorte de fazer um grande golo, mas é como eu já disse, estou mais feliz por alcançar o objetivo", reiterou.

Quaresma acabou por ser substituído aos 70 minutos por Bernardo Silva, seis minutos depois de ter visto um cartão amarelo por uma entrada dura sobre um jogador iraniano. "Estão-me a falar porque saí chateado?”, perguntou. “Eu sou assim, acho que vocês já não deviam ligar a isso, vocês sabem como é que eu sou, quero sempre jogar, trago sempre vontade de ajudar a equipa e acho que já não deviam ligar a essa azia", sorriu.

O que não foi para brincadeira foi o que levou ao amarelo e aos ‘bate bocas’ dentro de campo. "A mim irritaram-me [os iranianos], [mas] irritou-me mais o treinador. Acho que ele como português devia respeitar mais os portugueses; mas pronto, isso é conversa para outros dias", sentenciou Quaresma.

Minutos antes tinha sido a vez de Carlos Queiroz falar à imprensa, numa conferência mais longa do que o habitual, em que não poupou críticas à arbitragem e a Portugal.

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“Eu não quero estar aqui a falar muito sobre o meu país porque vão fazer uma guerra contra mim, mas estou já habituado a ser um homem contra a nação e não tenho problemas com isso. Depois do [Mundial da] África do Sul, já estou habituado a ter o país contra mim e eu contra o país”, disse Queiroz.

Recorde-se que esse Campeonato do Mundo, em 2010, na África do Sul, foi precisamente aquele em que o extremo ficou de fora dos convocados, na temporada em que voltou ao Inter de Milão depois do empréstimo mal sucedido aos ingleses do Chelsea.

Ricardo Quaresma é um jogador que, em particular, ganhou uma nova vida com a chegada de Fernando Santos. Desde que o técnico que guiou Portugal até ao inédito título europeu assumiu o comando da equipa das Quinas, Quaresma em apenas 9 jogos praticamente duplicou o número de golos e de assistências.

É a nova vida de Quaresma em que Queiroz ficou lá bem para trás, no passado.

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