Tocam os sinos, na torre da igreja, com ou sem rosmaninho e alecrim pelo chão

Pedro Soares Botelho
Pedro Soares Botelho

Fiz-me adolescente à beira do convento. Sempre calado, mole de pedra no meio de um deserto negro. Os sinos, vozes dos carrilhões, repousavam sobre andaimes, encostados aos blocos de madeira que os aguentavam no cimo das torres esguias do palácio que um João, rei de Portugal, como reis hão eles todos de ser, mandou montar no Alto da Vela, lugar duma Mafra que já não existe.

Estavam calados há quase duas décadas. Porém, renasceram. Os carrilhões do Palácio Nacional de Mafra voltaram a tocar este fim de semana — e o objetivo é que não se voltem a calar.

No concerto inaugural estiveram milhares de pessoas, ali no terreiro diante do palácio. A edilidade local distribuiu cerca de cinco mil bancos em cartão — que esgotaram — e ainda havia outras sete centenas de convidados sentados, conforme contou fonte autárquica à agência Lusa.

Os primeiros sinais de deterioração vieram no dia 11 de setembro de 2001, remetendo-os à ausência. Os 119 sinos e os dois carrilhões ficaram sujeitos a um “silêncio forçado” durante estes quase vinte anos, à espera de obras de requalificação — e “presos” por andaimes desde 2004.

Em breve, passarão a ser parte do Museu da Música, que se mudará para terras saloias em breve. O Museu, atualmente instalado na estação de Metropolitano do Alto dos Moinhos, em Lisboa, tem uma das mais ricas coleções da Europa de instrumentos musicais, com um acervo composto por mil instrumentos dos séculos XVI ao XX, de tradição erudita e popular.

Fazem também parte do museu vários espólios documentais, e coleções fonográficas e iconográficas do maior relevo, conta a Lusa.

Entre os instrumentos classificados como Tesouro Nacional estão os cravos Taskin, de 1782, recentemente restaurado, e o Antunes, de 1758. O piano Boisselot, que o compositor e pianista Franz Liszt trouxe a Lisboa, em 1845, e o violoncelo de Antonio Stradivari, que pertenceu ao rei D. Luís, são outros tesouros do museu.

O violoncelo de Henry Lockey Hill, de Guilhermina Suggia, os violinos e violoncelos de Joaquim José Galrão, os clavicórdios setecentistas das oficinas lisboetas e portuenses são outros destaques da coleção, assim os raros cornes ingleses Grenser e Grundman & Floth, do final do século XVIII, e as flautas de Ernesto Frederico Haupt, de meados do século XIX, que são exemplares únicos.

Já os dois carrilhões e os 119 sinos, repartidos por sinos das horas, da liturgia e dos carrilhões, constituem o maior conjunto sineiro do mundo, sendo, a par dos seis órgãos históricos e da biblioteca, o património mais importante do Palácio Nacional de Mafra, classificado como Património Cultural Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, no passado mês de julho. Estima-se que os sinos mais pesados tenham 12 toneladas.

São estrelas de peso, num palácio gigantesco. Lá longe, no Reino Unido, há outras estrelas. Hoje é noite de BAFTA, os prémios que os britânicos entregam antes de os norte-americanos celebrarem o cinema com os Óscares. O Abílio dos Reis conta tudo sobre o glamour, a família real, as máscaras e a polémica que fazem os BAFTA.

Ao passo dos sinos, na torre da igreja, com ou sem rosmaninho e alecrim pelo chão, eu sou o Pedro Soares Botelho e hoje o dia foi assim.

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