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Portugal prepara-se para um acolhimento “substancialmente maior” de afegãos

Pedro Soares Botelho
Pedro Soares Botelho

Portugal deverá receber, numa primeira fase, meia centena de refugiados do Afeganistão. Mas, numa conversa com a Antena 1, o ministro português dos Negócios Estrangeiros disse já que esse número pode ser “substancialmente maior”.

Afinal, “neste momento contamos receber mais do que as cinquenta pessoas que disponibilizámos de imediato há uma semana. O trabalho está em curso: Portugal participa no quadro da NATO, não quadro da União Europeia, também no quadro das Nações Unidas e em contactos bilaterais com os nossos aliados.”

Quantas pessoas serão? O ministro não adianta um número, mas refere que “o que hoje sabemos é que o número será substancialmente superior, mas ainda não podemos dizer um número preciso, porque o trabalho de identificação — e sobretudo de retirada dessas pessoas do Afeganistão — está ainda em curso.”

“Concluímos o processo mais urgente, que era a repatriação de cidadãos portugueses”, disse ainda Augusto Santos Silva, sobre a retirada de duas dezenas de nacionais no Afeganistão.

O ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou hoje que já foram retirados do Afeganistão os 20 cidadãos nacionais que exerciam funções na delegação da União Europeia (UE), na NATO e no aeroporto civil deste país.

“Concluiu-se, deste modo, a evacuação dos cidadãos portugueses que se encontravam, por razões de trabalho, no Afeganistão”, anunciou o ministério, num comunicado.

O gabinete de Santos Silva explicou que a operação foi assegurada pelas instituições europeias e empresas empregadoras e “contou com a colaboração da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas do Ministério dos Negócios Estrangeiros, em articulação com as Embaixadas de Portugal em Doha, Abu Dhabi e Islamabad e com o Consulado Geral em Londres”.

Nos últimos dias, entre câmaras municipais e até a Igreja Católica em Portugal, várias têm sido as instituições que se disponibilizaram para apoiar o acolhimento de afegãos neste oeste da Europa.

No sábado, Angela Merkel, chanceler alemã, pedia uma reflexão sobre os motivos que impediram o Ocidente, após vinte anos e grandes contribuições económicas, de consolidar um sistema político e social estável no Afeganistão.

“Agora não há ameaça terrorista do Afeganistão. Mas a missão era mais ampla, queríamos uma vida mais livre e melhor para todos, especialmente para mulheres e meninas. Não conseguimos isso.”

A chanceler alemã classificou a situação atual no Afeganistão de “dramática e trágica” desde a tomada do poder pelos talibãs, com a entrada em Cabul. E frisou que o objetivo atual da Alemanha é "salvar pessoas" na operação de evacuação, "cidadãos alemães, cidadãos de outros países da NATO e, sobretudo, aqueles que ajudaram" a Alemanha.

Mas a reflexão — ou a opinião a favor do acolhimento — não é consensual entre os Estados-Membros da União Europeia (UE). “Sou claramente contra o facto de acolhermos mais pessoas voluntariamente”, disse o chanceler austríaco, Sebastian Kurz, numa entrevista ao canal televisivo PULS 24, no domingo à noite, citada hoje pela agência EFE.

Já esta segunda-feira de manhã, o ministro do Interior da Áustria, Karl Nehammer, reiterou a posição de Viena de que a UE deve enviar esforços para que os refugiados afegãos permaneçam na região do seu país.

O ministro do Interior defendeu que os afegãos que cooperam com missões europeias e da NATO deveriam poder continuar a trabalhar para a UE no Afeganistão ou em países limítrofes, em vez de serem transferidos para a Europa, como está a acontecer. Nehammer defendeu que os afegãos em causa, muitos dos quais são tradutores e intérpretes, devem ficar a trabalhar em projetos da UE no terreno para melhorar a situação humanitária.

O ministro austríaco já tinha criticado anteriormente a Comissão Europeia por apelar à criação de rotas seguras e legais para aqueles que tentam fugir do conflito e da repressão talibã no Afeganistão. Nehammer manifestou mesmo espanto perante esta proposta e acusou Bruxelas de enviar o “sinal errado”, por considerar que poderia ser visto como um convite para os migrantes escolherem a Europa como destino.

Os talibãs passaram a controlar Cabul no dia 15 de agosto, concluindo uma ofensiva iniciada em maio, quando começou a retirada das forças militares norte-americanas e da NATO.

As forças internacionais estavam no país desde 2001, no âmbito da ofensiva liderada pelos Estados Unidos contra o regime extremista (1996-2001), que acolhia no seu território o líder da Al-Qaida, Osama bin Laden, principal responsável pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

A tomada da capital põe fim a uma presença militar estrangeira de 20 anos no Afeganistão, dos Estados Unidos e dos seus aliados na NATO, incluindo Portugal, que contaram com o apoio, no terreno, de cidadãos daquele país, que puseram a própria vida e a das respetivas famílias em risco para ajudar os militares estrangeiros.

Sair não é uma espécie de capricho. Sair é, para muitos, uma questão se sobrevivência: “Eles vão persegui-las. Elas vão para a prisão porque ela [a irmã] é ativista. Para eles, mulher não significa nada. Eles nem as deixam ir ao médico, imagina, porque não têm um homem e têm de sair com um homem”, contou à Lusa Nasir Ahmad, que vive no Porto desde 2016.

Porque tem mobilidade reduzida e usa uma cadeira de rodas, a mãe de Nasir, Roshan Noori, de 75 anos, depende da irmã, Lida Ahmadi, de 35 anos. Mas Lida Ahmadi “tem um problema de segurança”, por ser ativista, “e ela não pode sair sem um homem”. “Já perdi o meu pai há muitos anos”, lamenta Nasir.

O sonho é poder partilhar o que tem no Porto com a família: “Eu aqui gosto. Adoro Portugal, amo Portugal e amo as pessoas portuguesas. Este é o país de que eu gosto. Quero que a minha irmã, como eu, acabe de estudar”.

“Quero viver como uma pessoa normal.”

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