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O Mundo conhece um novo “Emirado Islâmico” — resta saber se o vai reconhecer

António Moura dos Santos
António Moura dos Santos

Sensivelmente três semanas depois da tomada de Cabul, os talibãs apresentaram hoje o seu Governo interino para o Afeganistão, anunciando-o como um "Emirado Islâmico".

O atraso desde que as forças afegãs transferiram o poder teve, talvez, múltiplas causas: a presença de tropas estrangeiras, o caos no aeroporto de Cabul com milhares a encaminhar-se para fugir do país, o atentado que ocorreu nas imediações desse mesmo espaço e ​​a bolsa de resistência anti-talibã que persistia no Vale do Panshir, a nordeste da capital, a cargo da Frente Nacional de Resistência (FNR).

Se, a partir de 31 de agosto, a maioria dos problemas acima anunciados teve resolução — recorde-se que era o prazo final para a saída dos EUA e aliados do país e a data a partir da qual os talibãs proibiram voos para fora — só ontem ao fim do dia é que as novas forças do poder reivindicaram controlo total sobre a única região que lhes resistia.

Desde que tomaram conta do país, os talibãs têm tentado manter uma patine de moderação, prometendo um Governo “inclusivo” e estabelecendo contactos com personalidades afegãs que se assumem como oposição ao grupo fundamentalista.

Se os acontecimentos das últimas semanas têm contrariado essas promessas — são já visíveis os retrocessos, nomeadamente no que toca aos direitos das mulheres, tendo havido já protestos reprimidos — o anúncio da composição do novo executivo também não promete um futuro particularmente auspicioso.

Segundo Zabihullah Mujahid, porta-voz dos talibã, será Mohammad Hasan Akhund  - um dos fundadores do movimento - o próximo líder do executivo, sendo que o cofundador do grupo fundamentalista islâmico Abdul Ghani Baradar será o número dois do novo executivo.

Se, por um lado, o mullah’ Hassan Akhund chefiou o Governo dos talibãs durante os últimos anos do seu anterior (e brutal) regime (1996-2001), por outro o Ministério do Interior ficará a cargo de Sarajuddin Haqqani - líder da rede Haqqani e procurado pela agência de segurança federal norte-americana FBI por terrorismo -, enquanto o Ministério da Defesa ficará a cargo de Mohammad Yaqoob.

Olhando para esta composição, não só é visível a não presença de outras vozes da oposição secular, como a presença de membros procurados por terrorismo não augura recetividade por parte da comunidade internacional — o cenário descrito tem um condão tristemente irónico de coincidir quase 20 anos depois 11 de setembro.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, por exemplo, tinha afirmado esperar que o Governo instituído pelos talibãs seja “verdadeiramente inclusivo”, com “não talibãs” que representem “diferentes comunidades e diferentes interesses no Afeganistão”. Falta saber o que acha desta composição. Já Gomes Cravinho, ministro da Defesa português, lembrou há dois dias que a União Europeia só reconhecerá o novo Governo mediante alguns critérios: o combate ao terrorismo, o respeito pelos direitos humanos e o livre acesso à ajuda humanitária entre eles.

No entanto, hoje não só foi apresentada uma lista governamental que não cumpre as promessas — apesar de os talibãs frisarem que ainda não está fechada — como o líder supremo dos talibãs, Hibatullah Akhundzada, cujas aparições públicas são raras, pediu ao novo governo afegão que respeite a sharia, a lei islâmica, cujas interpretações frequentemente resultam na supressão de direitos.

Além disso, ainda antes do anúncio, sucederam-se novos protestos em várias cidades do país, resultando em pelo menos dois mortos e oito feridos por força do controlo talibã. Em resposta, o porta-voz disse que “estas manifestações são ilegais até que os prédios do governo estejam abertos e leis tenham sido proclamadas”. De resto, vários jornalistas a cobrir os protestos afirmaram que os talibãs têm executado detenções ou apreendido material.

Até sábado, data em que se assinalam os 20 anos do célebre atentado às Torres Gémeas, as atenções manter-se-ão focadas na forma como o Afeganistão se promete comportar. O novo “Emirado Islâmico” está aqui, mas quem quer reconhecê-lo?

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