“Depois da tempestade, vem a bonança”. Toda a gente conhece o ditado, mas este esconde dois aspetos merecedores de reflexão: que se sabe quando é que a tempestade pára, mas não quando tempo demora a bonança a chegar. E mesmo quando a bonança chega, pouco adiantará para remendar os estragos passados - quem sabe, talvez possa ajudar a evitar futuros.

O tempo é de Natal e é de bonomia que se deveria estar a falar, mas as sucessivas tempestades que assolaram o país desde a semana passada ensombram a ocasião, especialmente para as famílias que não escaparam incólumes aos caprichos da Natureza.

Para já o balanço é de dois mortos, mas há um desaparecido em Castro Daire e que faz com que a bonança tarde em chegar. Os sinais não são os mais animadores: a retroescavadora que estava a operar quando foi dado o seu desaparecimento na passada quinta-feira, dia 19, foi encontrada no rio Paiva. A este triste número juntem-se as 144 pessoas desalojadas devido à crueldade das águas.

A bonança também tarda em aparecer para quem continua a monitorizar a situação no Baixo Mondego. É verdade que o nível da água começou a baixar e, com ela, o grau de risco, mas tendo apenas o talude direito do leito periférico do rio Mondego como salvaguarda, as populações vila de Montemor-o-Velho e da aldeia de Ereira vão ter um Natal onde o risco de cheias estará sempre presente. As águas de Damócles a pairar sobre si.

Que é demasiado tarde para evitar os estragos sustidos, toda a gente já sabe, mas repetem-se agora os lamentos, as promessas e as críticas. O presidente da Câmara de Montemor-o-Velho já avisou que o Governo tem de agir rapidamente para evitar males maiores e o executivo deu um prazo de dois meses, recordando, inclusive, que não pode agir no imediato para reparar os outros taludes sem que a água baixe mais.

E por falar na baixa do nível da água, as seguradoras já começaram a recolher informações para pagar indemnizações e o Governo está a preparar um plano, mas os estragos (especialmente, lá está, no Baixo Mondego) podem vir a ser muito maiores do que o previsto, já que a água pode demorar meses a deixar os campos e os pastos. Enquanto tal não acontecer, a bonança tardará também em chegar.

Falando-se noutro tipo de tempestades, a que afetou o Sporting Clube de Braga saldou-se numa vítima: Ricardo Sá Pinto. O treinador, apesar das boas prestações da equipa na Liga Europa, foi também o principal responsável pelo dececionante lugar que os minhotos ocupam no campeonato e foi demitido. Sobe agora ao leme Rúben Amorim, de quem se espera que leve o clube a águas menos revoltas.

E dedicando-nos agora em exclusivo às bonanças que o ano traz, é Natal e, não obstante os desafios e tristes ocorrências acima referidas, para grande parte do país este será uma ocasião de paz e comunhão com a família. Para quem não tenha nenhum percalço nos próximos dois dias, fique com o nosso guia onde lhe dizemos que lojas estão fechadas, quais os autocarros de serviço e as ceias alternativas.

Quer seja crente ou não, a verdade é que o Natal afeta a atualidade e prevê-se um dia calmo amanhã. Não nas casas de muitas famílias, onde a azáfama fazer os preparativos do jantar e da ceia será imensa, mas sim no que toca à agenda política e institucional do nosso país.

Fazendo jus à sua fama de incansável governante, Marcelo Rebelo de Sousa tem duas atividades planeadas: ao início da tarde, faz a entrega da Vela da Paz da associação Cáritas Portuguesa, e antes de jantar dirige-se ao Barreiro para participar na Tradicional Ginjinha de Natal.

De resto, fora as tradicionais missas de Natal — com natural destaque para as dadas pelo Papa Francisco, na Basílica de São Pedro, e pelo Cardeal patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, na Sé Patriarcal de Lisboa — pouco há a registar neste dia. Pouco, mas não tudo: em Lisboa, no Porto, em Coimbra e em Portimão, várias dezenas de voluntários vão organizar ceias de Natal solidárias para os sem-abrigo, numa iniciativa da Associação Remar Portuguesa.

Se alguns comem na companhia de estranhos bem aventurados, muitos outros vão poder fazê-lo nas suas casas. A minha sugestão é que o aproveite.

Eu sou o António Moura dos Santos e hoje o dia foi assim.

 

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